segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Birras e a roda de olhares fulminantes: precisamos parar com isso

Para você, pessoa querida, que estava ontem na Livraria Cultura , no fim de uma tarde de domingo e que escutou uma criança de quatro anos chorar porque queria um livro de bailarina e a mãe disse não:

Eu sei que ela estava gritando que "não era justo, que ela estava muito, muito triste e que não queria ir embora" e você se sentiu incomodado com aquilo, mas, veja bem, eu estava tentando lidar com a situação da melhor maneira possível. Tentei conversar com ela, dizer que não dava, que a gente tava ali para comprar o livro da amiga que fazia aniversário e não pra ela, que ela tinha acabado de fazer aniversário e ganhado muitos livros, mas o efeito parecia ser ainda pior, eu sei. Eu sei que depois o irmão dela de quase dois anos chorou no mesmo ritmo porque não queria ir embora e ali estavam dois pais tentando resolver uma situação, digo de novo "da melhor maneira possível". Acredite, eu também não estava feliz com aquilo. E, olha, também já fui você, também já olhei torto para uma criança fazendo birra e se debatendo no chão, mesmo depois de ser mãe. Mas vou te dizer que não ajuda em nada. Os olhares só pioram a situação. Sim, quando eu peguei ela no colo para tentar consolá-la (e isso funcionou com o meu de dois anos, por exemplo) e ela começou a gritar: "me solta", também não foi legal pra mim. E quando, finalmente, eu consegui sair da loja com ela e perceber, pela primeira vez, uma livraria inteira olhando pra mim, não foi legal. Te conto que um minuto depois já estava tudo bem. Porque crianças são assim, em dois segundos, esquecem e já partem para uma brincadeira nova, mudam de foco. Que maravilha, né? Estou tentando aprender com eles. Esqueci os olhares, mas percebi que preciso deixar os meus de lado também. Crianças choram. E, sim, eu também quero chorar em várias oportunidades, especialmente quando não consigo o que quero, mas, como pais, precisamos ensiná-los a lidar com suas frustrações. E seria, bom, bem bom, se não tivéssemos ainda por cima o peso do constante julgamento alheio através do olhar. Seria bom.




Depois disso, ainda fomos em outra loja e compramos uma triliche,
E mais olhares tortos para as crianças brincando na cama. Tão confortáveis que foram até debaixo das cobertas. Mas dessa vez, não liguei pra nada. Deixei eles serem crianças. Fim.



terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Briga entre irmãos

Férias em curso, chuva é a previsão de tempo constante na capital federal e eis que esses dias em casa com três pequenos uma dilema vem à tona: as brigas. Se ter irmãos é bom pelo companheirismo, por criar cumplicidade, por ter amigos constantes e brincadeiras infinitas, por outro lado toda relação traz conflito e essa pode ser uma constante em família. Como eu já entrei na maternidade sendo mãe de irmãos, essa também foi um constante pra mim.

Quando as meninas eram bebês eu logo fui percebendo e aprendendo que quando elas disputavam um brinquedo ou espaço o melhor a fazer era deixar as duas se resolverem, só tinha interferência quando o bicho pegava mesmo. Depois elas foram crescendo e fomos tentando resolver os conflitos com o diálogo, incentivando uma a dizer pra outra que "não tinha gostado daquilo" ou que disse "não" quando achasse necessário. Quando existem duas pessoas e duas opiniões e vontades diferentes, o conflito é inevitável. Com três mais ainda. Então, quando eles começaram a se bater e brigar muito nesse início de ano eu me assustei um pouco.




Como toda fase diferente que chega por aqui, no começo foi no grito mesmo. Era uma tal de "chega de brigar", "não faz isso", "para", etc. Depois comecei a respirar fundo e perceber que estava tendo a mesma atitude que eles ou que talvez a atitude deles fosse reflexo da minha (e não é assim sempre um pouco com nossos filhos) e que se eu estourasse também não ia ajudar em anda. Então, tanto eu quanto o Marco nos alinhamos e começamos a tratar a briga de outra forma. Conversando e tentando estabelecer o diálogo, Parece fácil assim escrito em quatro palavras, mas é difícil, minha gente! Muito. De certa forma, você começa a avaliar a sua atitude em relação às suas frustrações também. Complexo, né? Mas, aos poucos, fomos incentivando eles a resolver, expressar o que estavam sentindo no lugar de bater. "Não precisa bater, você não gostou que ele pegou seu brinquedo, então fala pra ele, Se ele não te devolver, me chama que a gente tenta resolver, ok?". É claro que para o Francisco era mais difícil entender, mas eu vejo que ele vai muito no ritmo das coisas, então quando elas acalmaram, ele também ficou mais tranquilo.



Teve outra coisa que acho que ajudou no processo foi explicar que irmãos são amigos, pra sempre. Era uma coisa que a minha mãe fazia comigo e funcionou muito vide que eu fiquei grudada no meu irmão hahahahaha Elas sempre se chamam de melhores amigas, mas também começaram a entender que o Francisco ia ser sempre o melhor amigo delas. Com uma semana, as brigas diminuíram e a coisa fluiu melhor. Brigam menos, entendam, mas ainda brigam, Porque isso é normal. Em alguns momentos, me permito a olhar de longe e tentar deixar eles resolverem, às vezes vou junto e tento o diálogo, e às vezes perco a paciência também porque não sou de ferro, Até por isso, entendo que eles também não são.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Que venha o próximo capítulo

Não quero ser clichê e fazer um texto sobre o que foi bom ou ruim em 2015. Nada disso.
Preciso escrever sobre o que eu tenho sentido neste fim de ano que parece não terminar. Estou com um aperto no peito misturado com um frio na barriga porque não sei onde meu caminho vai me guiar. Sinto que vai ser um novo ano em que muita coisa vai mudar, mas mudanças quase sempre envolvem o desconhecido e isso dá um medo danado na gente que é humano e pulsa.

Em 2015 realizei um sonho ao lado da minha família, joguei tudo pro alto e fui pra Paris, e ainda ganhei um amiga de verdade. Foi um ano duro, de transição para a nossa família, de testar nossas crenças e limites. Pra mim, foi o ano que eu realmente me senti mãe de três. Vi as crianças interagirem, o Francisco crescendo e se colocando no meio de nós quarto definitivamente, tanto que nem lembro mais da vida sem ele. Me tornei doula e descobri o poder do feminino. me tornei vegana e descobri o poder da alimentação. Porém, a maior lição pra mim. foi perceber que não existe controle. Que não importa o que fazemos, o cuidado que temos, às vezes as coisas são como são e não há como lutar contra elas.

Como este ano fiquei mais no instagram, aí estão as nove favoritas do ano. Que em 2016 haja tantos textos quanto houveram fotos. Amém.


Se há uma página nova inteira em branco para ser escrita, o que me resta é apertar as teclas no teclado e deixar a história ser escrita. Que venha um novo capítulo e todas as incertezas que a palavra "novo" traz junto dela.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Mamãe é um ser humano

Ontem depois do almoço, enquanto eu tirava a mesa e tentava arrumar a cozinha, o caos se instalava na sala. Vi as duas latas cheias de lápis derrubadas no chão e falei "que bagunça é essa? Vamos começar a catar já tudo isso aí já". Entre "não fui eu", "foi o Francisco", "to cansada", eu ia passando e todo mundo brincando e a bagunça no chão, perdi a paciência e gritei: "vamos catar tudo do chão agora!". A Bella olhou pra mim e falou: "mamãe, respira".
Pausa. Oi?
Eu ri, que foi a única reação que consegui ter na hora.
"É, né, Bella? Quando a gente fica assim muito brava tem que respirar. Verdade. Eu sempre falo isso. Então, me ajuda, que eu respiro, ok?"

Uma meia hora depois. Enquanto a gente se arrumava pra ir pra escola, pegava mochila, colocava sapato, etc, a Bella perguntou se a gente podia comprar picolé antes de ir para escola. Eu disse que não, que a gente já tinha feito um combinado de que ia comer açaí de sobremesa, já tinha comido, então nada de picolé. A Maria olhou pra mim e falou. "Mamãe, vamos fazer um combinado de que não pode bater o nosso carro em outro carro?". Hahahahahahaha 
Esse combinado foi pra mim, especificamente, e eu ri de novo. Como não? Eu bati o carro há alguns meses atrás, depois que a gente tinha acabado de sair do posto pra comprar picolé.



Foi aí que eu notei que elas estavam começando a me perceber como gente. Não apenas mais mãe que cuida, que guia, que diz o que fazer, que dá direção no caminho. Uma mãe que é ser humano que como elas também precisa respirar, que faz bagunça, que comete erros, que não é perfeita. Foi lindo ver que elas não só se perceberam como indivíduos, mas me perceberam como igual também. E é assim que a gente cresce e elas crescem. E ainda pensei que vamos passar por isso também com o Francisco. Que delicia!

Confesso que os últimos meses desses três anos das meninas têm sido intensamente prazerosos. Felizes. Eu sinto que me libertei de alguns paradigmas da maternidade, que "tem que ser difícil, que é muito trabalhoso". É claro que temos nossos desafios, mas eles já estão inseridos no contexto. Eu vejo elas tentando entender o mundo e eu fico encantada. Eu sinto que pra nossa família esse foi um ano de adaptação, de transição em outras áreas, mas também de afirmação. Sofremos menos com o caos e aproveitamos mais os momentos. É ser feliz e escolher isso todos os dias. Que venham as próximas descobertas e a vida inteira pela frente.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Relato de amamentação de gêmeos - Mari Perestrelo Campagnoli

Amamentar é natural, mas não é um caminho fácil, como quase toda mãe sabe. Precisamos nos informar, aprender, doar, entender, lutar. Quem lê o blog sabe que esse é um assunto que eu não consigo parar de falar e nem acho que deveria, quanto mais a gente falar sobre ele, mais uma nova cultura de amamentação vai se inserindo dentro das famílias modernas. 

A amamentação de gêmeos, então, é um caminho ainda mais árduo, mas que vale muito a pena. Precisamos de muito apoio e informação, e precisamos, em especial,  saber que é possível. Lembro muito bem quando eu tive as meninas ouvi vários comentários do tipo "mas como ela vai conseguir?" ou "é impossível não complementar com gêmeos". Eu amamentei as meninas até os 8 meses, mas sinto que poderia ter feito muito mais se tivesse empoderada. Para tentar disseminar essa amamentação exclusiva é possível, aí vai um lindo relato feito pela Mariana Perestrelo Campagnoli, mãe da Carolina e da Clara, que primeiro lutou por um parto natural gemelar e depois venceu os desafios da amamentação em dose dupla. Inspirem-se:


Mari e suas meninas. Foto: Renata Penna



"Devo começar contando que fui uma bebê bem mamoma rs. Minha mãe e irmãos contam que eu mamava o tempo todo! Sem nunca usar mamadeira ou chupetas, mamei até três anos e pouco! Cresci ouvindo que, não importava onde estivéssemos, se eu quisesse mamar, ia lá e pegava o tetê. Simples assim. Para mim, isso sempre foi o curso natural das coisas.
Dito isso, cresci, casei e engravidei - de gêmeas!
A vida tem dessas surpresas...
E eu, que a vida inteira dizia que nunca daria mamadeira ou chupeta para meus futuros filhos, me vi num túnel sem luz no final. A amamentação de um bebê já não é incentivada, imaginem vocês de dois!

Durante os nove meses de espera, conheci outras mães gemelares que tinham conseguido amamentar exclusivamente e prolongadamente, e fui vendo que, mesmo sendo difícil, seria possível.
Linha dura que sou, decretei: Na minha casa não entra leite artificial, mamadeira ou chupeta.
E confiei, né?! Porque até elas nascerem tudo que eu podia fazer era me informar e confiar.
Ouvi de tudo nesse período: que seria muito difícil, que as mulheres de hoje não produzem leite bom como no passado (???), que mataria minhas filhas de fome por um capricho.Cheguei a ganhar um limpador de mamadeiras não identificado no meu chá de bebê (obrigada, serviu para limpar os potes onde eu armazenava o MEU leite), e também um pote de guardar leite em pó.

Enfim as meninas nasceram, num lindo parto normal, vieram imediatamente para o meu colo, e mamaram na primeira hora de vida! Para evitar alguns protocolos do hospital, levamos uma ótima pediatra já para a sala de parto, o que nos livrou do leite artificial e/ou água glicosada no berçário (procedimento padrão em grande parte das maternidades que insistem em separar os bebês saudáveis de suas mães).

Chegamos em casa e o medo de não dar conta chegou junto com o turbilhão de emoções do puerpério. As dores da adaptação à amamentação e a exaustão por não dormir por mais de 1:30h seguidas me fizeram chorar de desespero.
Mais uma vez, conversar com quem já tinha vivido essa experiência me tranquilizou!
Além disso, chamei uma consultora de amamentação pra vir em casa, foi o melhor investimento que fiz na vida!!! A Fabiola, além de saber tudo de aleitamento, sabe tudo sobre puerpério, e, não fossem as palavras dela, eu teria sucumbido. Com ela aprendi sobre a pega correta, posições para amamentar as duas bebês simultaneamente e, o principal: aprendi a deixar fluir e confiar em mim e nas minhas meninas. Nosso corpo é perfeito, foi feito pra isso, e saberia muito bem dar conta da missão!

Os dias foram passando, meu corpo foi se adaptando a não dormir mais como antes, e eu aceitei que esse período é muito breve comparado com toda vida que temos pela frente, e certamente vai passar mais rápido do que eu imagino que vá - e provavelmente sentirei a maior saudade de ter as duas plugadinhas em mim.
Quando as meninas estavam com dois meses e alguns dias, comecei a me sentir muito mal. Nesse período estava me preparando para ordenhar leite e deixar de reserva para um casamento em que seria madrinha, então precisava garantir que caso elas quisessem mamar durante a cerimônia ou sessão de fotos, alguém oferecesse o meu leite. Queria tanto garantir que estimulei demais e ganhei uma mastite. Cuidei, e a dor no seio passou, mas continuava me sentindo mal. O diagnóstico? Dengue. E, indo contra as recomendações médicas, segui amamentando em livre demanda, sem oferecer nenhum outro leite pra elas. Mais um perrengue superado!

Pouco antes dos quatro meses, foi hora de voltar ao trabalho. Comecei a preparar o estoque de LM uns 20 dias antes de voltar, e nesse período enquanto não estava amamentando, estava com a bomba dupla acoplada nos seios. Com a prática chegava a ordenhar 350ml em menos de 10 minutos! (foram muuuitos dias pra chegar nesse marco, sempre com a bomba dupla). Voltei, e elas tomavam o LM no copinho, colher ou copo de bico rígido. Passamos alguns dias nessa louca rotina, até que optei por sair do trabalho e cuidar integralmente delas.

Chegamos aos seis meses de amamentação exclusiva! Enfim começaríamos a introdução de alimentos, e eu pensava que elas passariam a mamar menos. Engano meu!
Carolina e Clara só queriam saber de tetê!
Foram três, quase quatro, longos meses para que elas, de fato, aceitassem outros alimentos. E a partir de então passaram a comer super bem, e continuaram também mamando muito bem!
Agora já são 20 meses de amamentação gemelar, e elas nunca tomaram outro leite que não fosse o meu. Comem muito bem, alimentos saudáveis e nada de industrializados, e crescem e se desenvolvem num ritmo alucinante.

O que mais tenho escutado recentemente é: "mas até quando elas vão mamar?"
Querem saber minha resposta?
Do fundo do meu coração, não sei!
Espero, claro, que seja até quando elas não queiram mais. Vai ser até quando estiver bom para nós três. Quando, juntas, eu e elas, decidirmos que não queremos mais.

Essa relação é só nossa, e tenho pra mim que deu (e segue dando) certo, porque nunca permitimos que outras pessoas tivessem poder de nos influenciar. É o laço de amor mais forte e valioso da minha vida, e até a última gota de leite, seguirei cuidando com todo amor do mundo"


Para ver outros posts sobre amamentação clique no marcador #amamentação aqui do blog 

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Montpellier para sonhar mais

Ficou faltando um post muito importante sobre a viagem que a gente fez pra França esse ano. Dá pra acreditar que já foi em maio? Fico imaginando como a viagem já seria diferente com as crianças agora e acho que adiei tanto esse post porque a saudade sempre aperta quando lembro dos dias que passamos em Montpellier. Não só dos lugares que a gente visitou, mas dos amigos que vimos e abraçamos.  Então, senta que lá vem história e meus olhos já estão cheios de lágrimas aqui antes mesmo de escrevé-la.

Quando as meninas tinham poucos meses, eu recebi um email que me chamou a atenção. Naquela época minha vida estava uma loucura e eu ainda estava me adaptando à maternidade e mal tinha tempo de escrever ou ler e-mails, mas aquele chamou minha atenção. Ali estava uma brasileira, que vivia no sul da França, mãe de uma menina, grávida de gêmeos que se identificou comigo e queria conversar mesmo há milhares de quilômetros de distância. Engatamos em uma conversa virtual boa, de troca de e-mails gigantes, os bebês dela nasceram e eu chorei de emoção ao receber a notícia, as minhas filhas iam crescendo e eu contava pra ela sobre toda aquela transformação. Nos identificamos muito uma com a outra. Depois passamos a nos seguir no instagram e eu via a fotos deles todos os dias. Durante quase três anos, vi a Cecíle, a Alice e o Artur crescer. Os aniversários, os primeiros passos, as viagens, os passeios, as refeições. Meu sentimento era quase de que fôssemos vizinhas. Ela muito sabia da minha vida, eu da dela. A internet não é muito louca nesse aspecto?

Pois bem, quando decidimos ir pra Paris, mais do que naturalmente, Montpellier, onde a Lili mora, estava nos nossos planos. Antes mesmo de viajar a gente já vinha conversando e sonhando com o nosso encontro, aliás. E ela, junto com o Phil (que é francês), conseguiu nos ajudar a programar toda nossa viagem e roteiro de longe. E antes de irmos começamos a fazer uns videochats com as crianças, que já se conheciam por foto. Passagens compradas e nos falávamos quase que diariamente na expectativa. É claro que eu tive um pouco de medo de ficar na casa de alguém que eu não conhecia, mas na verdade eu já conhecia, meu sentimento era muito mais de felicidade do que receio.
Nós fomos primeiro para Paris (os posts sobre a viagem aqui, aqui e acolá) e de lá iríamos pra Montpellier ficar na casa da Lili. No dia da viagem pra lá, perdemos o voo pra Montpellier, que foi bem chato porque não era reembolsável, e quase não fomos pra lá, mas no final conseguimos comprar a passagem e despachar as malas em cima da hora. Quando estávamos passando na segurança ficamos um tempão na revista, um dos seguranças queria tirar uma espada de brinquedo da Maria e ela chorou horrores, o Marco esqueceu que íamos viajar e foi de bota e cinto e tudo mais que apitasse naquele negócio. E de lá saímos correndo pelo corredor com o Marco descalço e pelo menos duas de três crianças chorando e a aeromoça gritando em francês “senhor, seus sapatos, seus sapatos”. Quando chegamos em Montpellier, o Phil foi buscar a gente no aeroporto e depois fomos pra casa deles. O encontro foi bom demais! As crianças se deram bem de cara e foi lindo. Nós também entramos em sintonia muito rápido. Foi uma sensação de felicidade de encontrar uma família tão parecida com a nossa com ideias tão parecidas. Me emociono só de pensar nisso e penso em quanta coisa boa o blog já me deu, e não estou falando de coisas não, pessoas que agora fazem parte da minha vida, amizades sinceras, oportunidade de conhecer o outro, que eu com certeza não teria se não fosse por aqui.

Foi uma experiência maravilhosa! Seis crianças juntas foi divertidíssimo. Eles brincavam muito, todos tomavam banho juntos, comiam juntos e depois de colocar todos pra dormir, a gente jantava  e conversava muito. Nos primeiros dias, as crianças da Lili foram para a escola e fizemos alguns passeios só com ela. E no fim de semana, todos acompanharam. Sair com os seis foi definitivamente uma aventura. Demorávamos ainda mais tempo para sair e para ir de um lugar pro outro. Alugamos um carro lá que facilitou muito, mas teve um dia que fomos todos para o centro da cidade de metrô e foi uma loucura. Mas aquela loucura que justamente eu e a Lili amamos.

15 minutos depois da nossa chegada

No quinta dos Teisson

No centro de Montpellier

Piquenique nas rendondezas depois de um passeio de bike

Na cidade mediaval de Aigues-Mortes

Em Pont du Gard, uma das dez maravilhas da França

Artur, Alice e Maria no Arco de Montpellier



Jantar das crianças

Jantar dos adultos (foto tirada pela Cecíle)

Pula-pula todo dia

Almoço na cidade


Nós e nossa trupe

O mediterrâneo

Escalada 




Bella


Saindo de excursão





Na hora de ir embora, fomos de coração apertado, mas com a certeza de que aquele era apenas o início. Imaginei muitas férias compartilhadas com os nossos amigos, as crianças crescendo juntas, mesmo distante. Na hora da despedida, abracei a Lili e não consegui conter as lágrimas e ela também, foi uma sensação de tristeza mesmo por perder aquela convivência tão bom,  de conexão por ter outra pessoa no mundo que sabe exatamente o que a gente passa. 

Até a próxima, Lili, Phil, Cécile, Alice e Tutu
Obrigada por tudo

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Sobre ensinar, aprender e entender

Como pais, acredito que aprendemos constantemente a lidar não só com as frustrações deles, mas com as nossas também, diariamente. Seja quando eles caem num embate daquele de moder, bater e/ou puxar o cabelo, e nós que queremos ensinar que não pode brigar, nem gritar daquele jeito com o outro acabamos acometidos por uma raiva daquela situação, acabamos gritando também e tendo que respirar umas dez vezes para conversar e ensinar, administrar os conflitos. Desapegar de tantos conceitos pré-concebidos, idéias e regras é muito difícil, um exercício diário que tentamos fazer por aqui.





Hoje saímos para andar de bicicleta com as meninas até a biblioteca. Cada uma com a sua, Francisco no carrinho. A Maria andando super bem. A Bella ainda não conseguia fazer a volta completa no pedal, vai até metade, volta e vai até metade de novo. Uma coisa natural e que a Maria fazia também até um dia ver alguém andando de bicicleta e fez. Mas hoje a Bella foi ficando pra atrás e a Maria voando na frente. Então, a gente tentou ajudar ela a fazer, e percebemos que ela estava se frustando ão consegui fazer e a gente também porque não conseguia passar aquilo pra ela. Até que, no auge dos seus 3 anos e 10 meses, ela diz: 

- "Mamãe, eu quero fazer do meu jeito".

Eu e o Marco nos entreolhamos e sorrimos. Aquela frase veio do nada, mas não era surpresa pra gente já que tentamos passar justamente isso pra ela: autonomia. Uma coisa que a escola dela também prega, não existe jeito certo ou errado, existe o seu jeito. O jeito dela. Eu percebi que uma parte bem forte de mim também queria continuar a ensinar ele a fazer a volta completa, queria insistir. E foi assim no longo caminho até a biblioteca. A tal da meia volta cansou  logo, ainda tentei explicar pra ela como fazia mais uma vez, ela fazia a meia volta e me perguntava: "mamãe, eu tô fazendo?". "Não, Bella, ainda não". Até que ela desistiu da bicicleta. Eu e Marco fomos quase num embate entre essa nossa mania de querer que as crianças façam o "certo" e deixar ela ser, vez ou outra escapava um "tenta de novo?" e até um "você não quer mais a bicicleta?". Mesmo tendo consciência de tudo aquilo, não forçar foi difícil. Ainda na ida ela desistiu da bicicleta. E o Marco teve que carregar ela nas costas, e no meio a Bella queria só a mão dele, reclamou várias vezes que estava cansada. Mas tentamos respeitar o momento, acima de tudo. O tempo dela, o jeito dela. Precisamos perceber também, que nossos filhos são únicos e diferentes (algo que a gente sempre soube aqui mesmo tendo duas "iguais", mas que a vida vive nos mostrando). Como pais, podemos guiar o caminho, mas não comandar a direção. Aprendemos todos os dias a nos desapegar e viver de outros jeitos também. 






quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Para descomplicar a maternagem: doulemos

Eu sempre questionei sobre o meu papel como gente neste mundo. O que eu vim fazer aqui? De onde viemos? Para onde vamos? Esse tipo de coisa. Aí eu me tornei mãe e tudo começou a fazer mais sentindo. Então, descobri que ter filhos é uma oportunidade para se descobrir e se encontrar. Foi-se embora tudo o que não importava, ficou o que fazia diferença. Me joguei na maternidade de cabeça e resolvi viver tudo intensamente, ainda vivo. Me encontrei de novo escrevendo e sobre o que eu mais gostava. Me descobri nas conversas com outras mães, na busca por um parto justo, nas dores e delicias do puerpério. Nesse meio do caminho fiz uma loja, vendi bolos, mas ainda não era o que eu queria. Depois de muuuuita análise, vi que estava já estava no caminho certo, mas queria ir além dos cantos da minha casa, do espaço virtual e ajudar outras mulheres que passam o mesmo que eu. Decidi então, me tornar doula e viver no sentido dessa palavra: aquela que serve, ajuda, cuida, apoia no momento mais delicado da vida da mulher, a gestação, o parto e o pós parto.Queria um trabalho que fizesse a diferença na vida de alguém e esse é meu objetivo a partir de agora.

Eu e minhas mestres no caminho maternal










Então, para descomplicar a maternagem e ajudar outras mulheres neste caminho vou trabalhar como doula na gestação, parto e pós-parto. Além da minha experiência como mãe de três, passei por um curso de formação de doula e educadora perinatal, já estou fazendo atendimento e me imergi neste universo nos últimos meses. Minha ideia é fazer um serviço diferente e mais profundo ao guiar uma mulher por essas fases, em especial no pós-parto. Vamos comigo?




Como funciona?
São acompanhamentos durante a gestação, no parto ou no puerpério, através de atendimentos e consultorias. Os atendimentos têm, em média, duas horas de duração, podem ser presenciais para quem vive em terras brasilienses e virtuais pelo mundo afora. A pessoa pode escolher o apoio durante as três fases, ou apenas uma. 

Meu objetivo é trabalhar as emoções, assim como as mudanças que chegam com a maternidade até em assuntos mais práticos como enxoval ou amamentação, também. Para abraços, apoio, empoderamento ou um chá com bolo numa tarde de conversa ou esclarecimentos, vamos caminhar juntas nessa jornada tão linda, transformadora e desafiadora que é ser mãe.


Para saber mais informações sobre as consultas e pacotes mande um e-mail para  tatisabadini@gmail.com Quem tiver dúvidas ou sugestões também são bem-vindas. 
Que comece a jornada!

Em breve, devo promover rodas de conversas, então aguardem :)

Foto: Panoptes Fotografia 

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Por uma nova cultura de amamentação

Há algumas semanas milhares de pessoas compartilharam a foto da apresentadora Fernanda Gentil com um depoimento sobre a amamentação e como não foi possível pra ela. Quando eu li o texto senti muito pela Fernanda e por todas as mulheres que iriam se identificar com aquela foto, senti mais por saber o que causava essa frustração nela, um problema que eu mesma passei na minha primeira gravidez: falta de informação e apoio. Muitas mulheres não conseguem amamentar e não é porque o leite secou ou pelo bico invertido, por exemplo, é porque não temos uma cultura de amamentação que incentiva e nutre a mulher com os dados certos. Desde de casa até os próprios profissionais dentro da maternidade. Amamentar não é fácil, automático ou instintivo, e por isso passamos por um processo para conseguir alimentar nossos filhos de forma natural. Estou cansada de ver mulheres frustadas com isso, carregadas de culpa, sem poder ter a experiência transformadora que é amamentar.


No mês passado participei de um projeto de um casal muito querido e amigo, o Sávio e a Irmina, pais de dois, e criadores do Panoptes Fotografia Criativa, que queria justamente quebrar preconceitos e incentivar a cultura da amamentação. Eles fotografaram uma série de mulheres amamentando em espaços públicos para mostrar que podemos estar inseridas em qualquer cenário e não precisamos ter vergonha de dar o peito. Eu tinha escrito um depoimento para eles sobre a minha história com a amamentação e senti que precisava compartilhar aqui também

“Minha primeira experiência com a amamentação foi dolorida, não foi como eu imaginava ou queria. E acho que alguns dos “pré-conceitos” que eu tinha sobre amamentar não ajudaram em nada. Achava que dar de mamar era instintivo, mas tive pouquíssimo contato com quem amamentasse. Na minha cabeça todo bebê mamava mamadeira, mesmo que ele mamasse no peito, foi assim comigo, com meus primos, meus vizinhos, meus amigos, porque não seria com meus filhos? Também fui uma dessas pessoas, antes de ter filho, que olhavam torto para uma mulher que tira o peito pra fora e amamenta o filho em qualquer lugar. Amamentar até os dois anos? Coisa de gente louca, só podia. Enfim, sabia que amamentar era algo natural, mas acho que pra mim nem tanto, né? Quando eu dava de mamar para as meninas e elas soltavam o bico eu ia logo cobrindo peito, tentava não mostrar, ficava inibida. Talvez pelos comentários que eu ouvia dentro da minha própria família que a mãe que amamentava “não precisava ficar com peito pra fora”. Foi só lendo muito, minada de informações que eu fui conhecendo o poder do leite materno e os benefícios que ele traz não só para o bebê como pra mãe. E com a segunda gravidez/terceiro filho me senti segura e com a liberdade, porque essa é a palavra certa neste caso, de amamentar meu filho, quando quisesse e aonde quisesse. Me libertei dos meus medos e de todos esses conceitos e foi um processo para chegar até aqui. Por isso vejo como é importante quebrar essas imposições que foram impostas nas mulheres, especialmente na geração das nossas mães. Amamentem com orgulho, seus filhos não estão sendo beneficiados só com nutrientes, mas estão inseridos dentro do que é natural e real”.















A melhor forma de se preparar para a amamentação é com informação. Essas questões abaixo NÃO impedem uma mãe de dar o peito para seu bebê, procure ajuda segura e confie em você:






Para continuar com o projeto e levar aos quatro ventos, eles criaram o instagram @mamaco_no_espaco para não apenas divulgarem as fotos, como manter a janela aberta para o movimento. Para saber como participar das próximas intervenções e conhecer mais o projeto é só seguir os passos dos fotógrafos por lá. 



- Mamilo invertido/plano/pequeno amamenta com pega correta e orientação de profissional atualizado
- Prótese de silicone = amamenta normalmente
- Redução de mama = amamenta na maioria dos casos com acompanhamento profissional atualizado
- Sentir dor = só dói se a pega estiver incorreta ou o bebê tiver alguma dificuldade fonoaudiológica, nestes casos correção de pega e posicionamento, atendimento fonoaudiológico = amamenta
-  Leite não desceu = o leite sempre desce com estímulo de sucção do bebê, em algumas mulheres pode demorar até 5 dias, é normal e o bebê tem reservas durante este tempo e sim, quando eles choram nem sempre é fome, bebê chora.
- Leite secou de uma dia para o outro = leite não seca de um dia para o outro, leite só seca sem estímulo nenhum e demora 40 dias ou mais.

Fonte: Mama Neném

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Menos rótulos, mais descobertas

Os rótulos, ah, os rótulos. Todo mundo sabe que ele não é legal e não faz bem, mas quando a gente menos espera, sem perceber até, ele aparece. “Ah, o João é agitado demais”. “A Ana é impossível”. “Ele é tímido”. “Ele não para quieto”. Colocamos tantos adjetivos nos nossos filhos diariamente que muitas vezes eles se tornam rótulos, características tão fortes que mesmo que elas não façam parte da criança, acabam se unindo a ela. É claro que traços de personalidades existem e são super importantes, mas se nós que já passamos por tantas experiências na vida também mudamos, por que os menores não?

Uma das vantagens de ter gêmeos, pra mim pelo menos, foi não se apegar aos rótulos porque rapidamente a gente aprende que as fases existem, incluindo de personalidade, e com elas as características que parecem tão pessoais, vem e vão. Não preciso ir tão fundo para perceber isso. Por exemplo, quando as meninas eram recém-nascidas todo mundo tentava diferenciar e descobri o jeito de cada uma. “A Maria é mais dorminhoca. Essa vai ser tranquila, hein?” “A Bella chora alto, né? Essa vai dar trabalho, viu?”. Por que essa nossa necessidade de rotular e definir alguém tão cedo? Acho que estamos tão acostumados a esse processo que parece até natural. Depois fui percebendo que existiam fases, em que a Maria dormia mais fácil e outras a Bella, assim como o choro variava também. E era só isso.




Elas foram crescendo e essas fases foram se tornando mais marcantes e são até hoje. Há alguns meses atrás, Maria estava mais briguenta e ciumenta, no melhor modo “rebelde” (olha o rótulo!). Do nada, como sempre acontecem com as fases, ela acalmou e ficou dengosa, extremamente carinhosa. E aí foi a vez da Bella começar as brigas. Normal. Assim como eu sei que às vezes uma está mais sociável que a outra, mais aventureira, mais questionadora ou mais calma. Tinha uma coisa que me irritava extremamente quando elas eram bebês e eu saia na rua com as duas e alguém perguntava: “qual é a mais simpática?”. “Ah, eu acho que é essa aqui ó”. Como se uma tivesse que ser simpática e a outra não. O Francisco, por outro lado, ganhou o rótulo de “bebê simpático” e tudo bem. Eu tento não levar isso a ferro e fogo. Sei que faz parte da personalidade dele, mas nem sempre ele é todo sorrisos e tudo bem também.

Acho que como mães temos que tomar muito cuidado não só com esses rótulos, mas com as profecias auto-realizadoras de achar que tal situação com seu filho “não vai dar certo nunca” ou já prever o futuro “tenho certeza que como adolescente ele vai ser terrível”.


Precisamos ser mais gentis com nossos filhos e com tudo o que eles estão descobrindo e aprendendo a ser no início deste longo caminho. Precisamos ser menos duras com nós mesmas para não projetar demais neles. E, por fim, precisamos deixar a vida acontecer, sem definições, e deixar eles nos mostrar a direção do próximo capítulo.