terça-feira, 30 de junho de 2015

Paris com as crianças: "sobre viver"

Ah, Pariiii! Que saudades eu já estou da viagem, de comer pão francês de verdade todo dia, do frio, de andar, andar e andar, das aventuras do metrô, do parquinho. Tantas saudades que tá até difícil escrever sobre essa viagem, preciso fazer um post sobre todos os lugares que visitamos, mas antes queria contar um pouco sobre como foi nossa rotina por lá e como “vivemos” ou “sobrevivemos” nos oito dias que ficamos com Maria. Bella (3 anos) e Francisco (1 ano) na capital francesa. Então, senta, pega um café, que lá vem história e muitas fotos:


Paris até na chuva e eu com toda a farofa que usávamos para nossos passeios, faltou uma super mochicla que estava nas costas do Marco enquanto ele tirava essa foto



O Apartamento e a rotina
A vantagem de alugar um apartamento é poder ter liberdade, fácil acesso à uma cozinha, além de viver um pouco como se você morasse naquele lugar. Alugamos no Airbnb, e já contei aqui que achei ótima a experiência. Ficamos num lugar mais afastado, no 20° distrito, e assim conseguimos passear tranquilamente pelo bairro com tudo perto, supermercado, padaria, farmácia, quitanda, loja de queijo, loja de vinho. Metrô pertíssimo. Foi muito bom. E todas as pessoas foram simpáticas e pacientes com a gente.

O apartamento era um duplex, então a escada foi um ponto de tensão pra gente, mas sobrevivemos. Francisco caiu algumas vezes e inclusive ganhou um roxinho na testa numa dessas aventuras dele no auge do seu momento de exploração com um ano. Na parte de cima, tinha uma cama de casal e na parte de baixo um sofá-cama enorme. Para evitar contratempos, eu dormi na parte de cima com o Chico e o Marco dormiu com as meninas na parte de baixo. Pra elas foi ótimo, não acordaram nem pra fazer xixi. Pra mim, foi uma rotina de voltar a dar de mamar pro Francisco muitas vezes durante à noite, mas também foi tranquilo.

Depois que conseguimos nos ajustar ao fuso-horário, acordávamos umas 9h e aí começava o processo de arrumação para sair. Tomávamos café, olhávamos o caminho do metrô para o lugar que a gente queria ir, colocava o FranChico no mochilik, mais carrinho duplo e mochila, lá íamos todos explorar Paris, por volta de umas 11h. Geralmente, voltávamos umas 20h pra casa, o tempo passava voando.

A tal da escada 

Bagunça de mala e brinquedos e uma parede roxa

Jantar servido

Minha cama e do Chico

Adorava abrir a janela de manhã e ver essa vista

O corredor do prédio. Encontre um menino camuflado

Prontos para sair para mais um passeio


Comer, comer
No caminho até o metrô para ir pro nosso passeio, a gente passava no mercado, na quitanda ou na padaria para comprar comida para um piquenique, mas sempre íamos comendo no caminho ou dentro do metrô. Então, o almoço era uma fruta (ou várias) com pão, basicamente. Mas, preparem-se: as frutas são caras, entrei no modo estou de férias e “quem converte não se diverte” e haja framboesa e morango! E, quase sempre, quando a gente chegava no lugar que ia visitar comprava alguma coisa por lá: sanduíche, crepe ou as famosas gaufres (waffles).

Arriscamos ir em restaurantes duas vezes. Se aqui no Brasil já é difícil sair com três crianças pequenas, imagina na França. E gastar muito para comer correndo ou pela metade não estava nos nossos planos. Mas, no primeiro dia fomos no Hippopotamus, uma rede que é bem kids friendly, apesar dos pratos não serem nem um pouco saudáveis, ao meu ver. Eram 15h, o restaurante estava vazio e fomos super bem atendidos, foi tranquilo até. Quando fomos no Jardin Tulliers também fomos num dos restaurantes de lá e a comida foi ótima e o comportamento das crianças também nos primeiros vinte minutos, mas depois Maria saiu correndo, viu uma poça de “lama”, que não verdade era areia, e foi a atração pros turistas pulando e se molhando toda lá, com a Bella imitando logo em seguida.

Além das frutas e do pão (croissant, mais conhecido por aqui como “pão macio”, era o preferido das meninas), algumas vezes usamos aquelas máquinas de comida no metrô para nos salvar de um momento de desespero ou fome extrema e compramos o que os franceses chamam de “compote” ou compotas de frutas que vem num saco para chupar. Toda criança francesa adora aquilo é impressionante, e existem versões sem açúcar.

O jantar eu fazia no apartamento. Geralmente, uma massa. Mas também comemos pizza comprada no mercado, salada com pão, e um risoto de uma loja de comida italiana que tinha perto do nosso apartamento. Também compramos uma carne no mercado um dia e só, porque ô coisa cara. Depois que as crianças dormiam, eu e o Marco íamos comer frios, queijos e outras deliciosas gordices com vinho e conversávamos (baixo pra não acordar ninguém) sobre o dia e o que íamos fazer no dia seguinte.

Maria e Bella comendo nutella pela primeira vez na vida

Piquenique no Jardim Tulieres
Foi uma viagem de muitas primeiras vezes para as crianças, aqui comendo éclair ao lado da Notre Dame

Em vários parques de Paris você encontra esses "bebedouros" com água pronta para beber

Pausa para um chocolate quente (outro primeiro) em Versailles

FranChico tomando sorvete pela primeira vez também
Suco de maçã o nosso favorito na viagem

Prato do dia em um restaurante no Jardim Tulliers

Comprando pão na padaria da esquina
Nosso jantar/piquenique no chão depois que todos dormiam

Quitanda nossa de quase todo dia
Francisco se acabando no pão francês, de verdade


Para se locomover
Nas idas e vindas do aeroporto usamos táxi. Chegamos pelo Orly e a corrida até o apartamento saiu por volta de 50 euros. E depois quando fomos pegar o avião para Montpellier usamos o Uber, que é maravilhoso e pedimos um carro grande, quase uma van, que coube as malas, os três carrinhos e nós cinco com conforto. Vale muito a pena.

Em Paris, metrô é vida. Vale a pena baixar o app oficial do metrô, o RATP. Ele tem a versão em inglês que é bem mais fácil de entender, “Visit Paris by Metro”, que ajudou bastante. Em dois dias já estávamos craques nas linhas. Mas, tivemos que nos adaptar a coisa de subir e descer de escada com o carrinho. Usamos o simples com cada uma das meninas e o Francisco no mochilik comigo e o duplo com elas. E o nosso bom e velho duplo foi a melhor escolha. Ensinamos pras duas que tinha que descer toda ver que tivesse uma escada e o Marco carregava o carrinho sozinho fácil. É claro que rolaram muitos “eu não quero descer”, “não quero ir de escada”, até elas se acostumarem, mas depois elas entraram no ritmo e curtiam muito o metrô todos os dias. Teve um dia que pegamos ônibus, mas foi esquisito, cheio de gente esquisita e lugares estranhos, porque estávamos longe do centro, então não achei muito seguro, mas no fim deu certo.

Temos uma história memorável no metrô. Um belo dia, no meio da viagem, quando achamos que já estávamos craque nas idas e vindas do metrô, fomos entrar num vagão e eu fui primeiro com o Francisco no sling e o Marco veio atrás com o carrinho com as meninas, como sempre fazíamos, mas aí começou a descer e entrar muita gente e o carrinho foi ficando pra atrás, quando eu vi que o Marco não ia conseguir subir tentei descer, mas já fiquei presa na porta e alguém me puxou pra dentro. Olhei pra cara do Marco e só deu tempo dele dizer “me encontra na próxima” e depois vi o desespero das meninas, que tadinhas, choravam gritando “mamãe”, chega doeu o coração. Ainda fiquei na dúvida se ele queria dizer na próxima estação ou na estação que a gente deveria descer, mas como imaginei que as meninas estavam assustadas desci na seguinte e esperei. Deu certo. Mas foi um susto e tanto. Depois disso, o Marco sempre entrava primeiro e muitas vezes esperávamos o próximo quando o carro do metrô estava muito cheio.

Resolvemos andar de Batobus também um dia para conhecer a cidade pelo Sena, mas não foi a experiência que a gente imaginava, talvez porque fomos em uma hora crítica em que todos estavam com sono. Eles ficaram inquietos e não paravam no barco acabamos descendo em outro ponto que já conhecíamos e indo pra casa de metrô depois. Tá aí um passeio para fazer quando eles estiverem um pouco mais velhos, eu acho.

No mais, andamos muito, o melhor jeito de conhecer uma cidade. No meio do caminho encontramos boas surpresas e muitos parquinhos.

No trem a caminho de Versailles

Da janela

Em uma estação qualquer de metrô

Essa cena se repetiu muitas vezes durante o dia

No Batobus

Dentro de um vagão do metrô milagrosamente vazio


Cadê o banheiro?
Banheiros, como eu previa, foram a parte mais chata da viagem.  Paris tem banheiros públicos e grande parte das atrações também, então não tivemos que buscar alternativas (ou seja, fazer no matinho). No entanto, a vontade delas surgia, às vezes, nas piores horas e nem sempre o banheiro estava tão disponível assim. E umas duas vezes eu fui com os três no banheiro (Francisco no sling) e foi o caos, do nível meninas pegando em tudo e se esfregando no chão, pelo menos um de três chorando e eu gritando com todo mundo. Até que pensei um pouco e passei a deixar o Francisco com o Marco mesmo que ele chorasse porque queria ficar comigo. Na Torre Eiffel tem um banheiro público e gratuito meio escondido (atrás das bilheterias), mas ótimo e super limpo. Aliás, eu chamei de “banheiro nazi” porque os fiscais dão bronca nos turistas e quando eu saí do box com as duas, tinha uma italiana se olhando no espelho e passando batom e já chegou uma senhora da limpeza gritando em francês “saí, saí, que eu quero limpar” ou algo do tipo hahahaha Eu só lavei as mãos das meninas e corri de lá também.

No dia que fomos na Disney Store na Champs Elysée também ficamos procurando banheiro. Achei um daqueles públicos luxuosos que custam 2,5 euros e estava uma fila, as meninas começaram a fazer uma bagunça louca e eu sem paciência alguma pois o nosso passeio tinha sido estragado pela chuva (coisas que acontecem quando se viaja: frustações), eu peguei as duas pelo braço e saí dizendo que ninguém ia mais no banheiro. Quando finalmente chegamos na loja elas esqueceram do xixi e ficaram encantadas com tudo e aí só fomos lembrar do banheiro meia hora depois. Perguntei pra vendedora (que era portuguesa, aliás) e ela disse que lá não tinha banheiro (como pode?), que eu fosse no restaurante ao lado. E pensei: mas vou assim na cara de pau? Saí com as duas andando e de repente Maria começa a gritar: “tá doendo, mamãe!”. “Tá doendo o quê, meu amor?”. “Minha vagina”. Em poucos segundos, ela estava gritando pela Champs Elysée: “minha vagina tá doendo”. E chorando. Me deu uma dó e eu como boa mãe desesperada depois de entrar até na Zara pra ver se tinha banheiro, resolvi ir direto pro restaurante mesmo. Entrei como se fosse uma cliente com uma menina no colo e outra na mão e desci a escada sem olhar pra atrás. Problema resolvido e depois voltamos pra loja prontas para levar Anna e Elsa pra casa.

Fila para o banheiro públio auto-limpante

Nossa entourage no palácio da Maria Antonieta


Paris hoje e sempre
Acho que aprendemos muito com a viagem e as crianças, especialmente Maria e Isabella, também. Foi muito bom sair da zona de conforto e enfrentar alguns desconhecidos. Testamos nossa paciência muitas vezes, aprendemos a respirar fundo e respeitar o tempo deles. Quando voltamos pra casa (depois da difícil tarefa de se acostumar como o fuso-horário), a mudança era notável, parece que a nossa rotina ficou mais leve e mais fácil. Meninas pedem para voltarmos e acho que vamos fazer isso sempre que puder e sempre que o sonho deixar.



Eu e FranChico apagado no nosso essencial Mochilik da www.petliksling.com.br



Uma dica para pais que viajam com crianças pequenas:
Não deixem de pesquisar muito sobre a cidade e como ela funciona antes de ir. Organize-se, faça um roteiro, leia blogs e veja depoimentos na internet.
Aqui o post com as dicas para viajar com três pequenos 
E também dois links que eu li bastante antes de viajar para Paris, especificamente:

terça-feira, 9 de junho de 2015

De peito aberto

“Mantenha-se forte. Amamente com orgulho. Você está fazendo o que é melhor para você e sua família. Toda vez que você compartilha uma foto de amamentação ou amamenta em público sem sentir vergonha, está ajudando outras mães. Elas podem não dizer, mas vêem você. As crianças vêem você. Adolescentes vêem você. Eles estão aprendendo com você o que é socialmente aceitável. Você é a mudança. Não deixe ninguém pôr você para baixo. Nossos filhos vêm em primeiro lugar”, (ativista americana Paola Secor).

Vi essa frase no perfil do instagram @enquantoeuamamento e achei perfeita. Para quem ainda não conhece o blog direito, a minha história com a amamentação é a seguinte: amamentei as meninas até os 8 meses com complementação e o Francisco mama em livre demanda desde que nasceu até hoje com 1 ano e 3 meses e sem data para terminar. Com as meninas, eu e a amamentação éramos grandes desconhecidas. Eu achava que era questão de instinto e levei um tapa na cara logo após o parto. E vamos combinar, não ajudava em nada ficar com pudor. De, em cada mamada, esconder logo peito. Era quase natural fazer isso, fazer o não natural. A gente cresce justamente nos afastando de algo que deveria ser instintivo, colocar o peito pra fora e alimentar o filho. Eu lembro de até pedir uma vez pro meu pai parar de tirar foto enquanto eu estivesse amamentando porque eu não gostava. Acho que esse afastamento com meu próprio corpo, com o meu peito, não facilitou em nada o processo de amamentar.



Ser mãe é um processo e amamentar faz a gente entrar em contato com o nosso íntimo, como em quase tudo para quem se entrega na maternidade. Por que eu sentia aquela vergonha toda? Eu não gostava nem do cheio do leite! Como pode? Se eu tivesse me entregado e confiado no poder do meu corpo, se tivesse mesmo virado um pouco índia seria um pouco diferente. Pra ficar assim de peito aberto é importante também se rodear de pessoas que pensam que a amamentação é um ato natural e necessário. A mãe precisa de suporte, seja do marido, da família, dos amigos e, por sorte nossa, em tempos modernos ainda temos os grupos virtuais que ajudam muito. As nossas mães mesmo viveram outro momento, onde mamadeiras, bicos e leites enriquecidos com maisena eram uma ótima solução, mas era outra época. Por isso, insista na amamentação, esqueça esse papo de que o bebê vai ficar mal acostumado no peito, que não pode chupetar, ou dormir com o peito na boca. Pode tudo. Isso é livre demanda, minha gente! Se joga, índia moderna! Afnal, amamentar também pode ser transformador. Não é nada fácil. Mas amamentar te faz entrar em contato com o feminino, com você mesma.


Com o Francisco já foi diferente. Eu já sabia o que me esperava, que o peito ia doer, que era preciso se entregar. Porque eu descobri no meio do caminho que não precisa de empoderar apenas para o parto, para amamentar também. A gente não pode ter vergonha do que é natural e de ninguém. Agora, com o Francisco com mais de um ano, eu comecei a perceber que muitas vezes eu ficava meio retraída em dar de mamar em público. Antes mesmo de escutar alguma crítica por amamentar de forma prolongada eu mesma já antecipava aquilo. Então, relaxei. E ler essa frase “amamente com orgulho...” me deu ainda mais segurança. Insista, persista, amamente, vale a pena. 

*foto feita pela Maria no celular do Marco enquanto a gente passeava por Paris no batobus

terça-feira, 2 de junho de 2015

Como viajar para Paris com três crianças pequenas e um sonho realizado

Então, nós fomos para Paris.

Na verdade, para a França porque passamos no Sul para visitar uma amiga virtual, que aliás eu conheci através do blog, e foi maravilhoso!

Ir para Paris era um sonho de muito tempo. Algo que eu queria ter feito há muito tempo, mas nunca tinha grana ou disponibilidade, mas acho que não tinha mesmo era coragem. Então, foi uma coisa bem louca mesmo, como vocês estão imaginando. Um dia acordei e pensei: “eu quero ir pra Paris”. Esperei uma promoção de passagem e vi que com o dinheiro da minha previdência conseguia ir. Depois que eu comprei as passagens não teve mais volta. Fiquei com frio na barriga, gastei tudo o que eu podia e o que não podia, pensei em desistir, me achei louca. Mas também pensei em o quanto a vida é curta e como eu quero aproveitar o hoje e o agora. E como o Francisco ainda não paga passagem só por mais um ano, tinha que ser agora.

Não levar as crianças estava fora de cogitação. Nunca imaginei viver isso sem elas. Não é só porque o Francisco ainda mama e seria injusto deixar as meninas e ir com ele. E não me interessa que eles não vão lembrar de nada, que não iríamos aproveitar tudo, etc, etc. Foi uma loucura mesmo, caótico em alguns momentos, mas eu e o Marco teremos as melhores lembranças dessas nossas primeiras férias como família de cinco. Vivemos muita coisa nesses 16 dias e todos nós crescemos muito. Sei que esse assunto sempre é polêmico e até deu discussão lá no meu instagram (@familiamoderna), mas resumidamente, é isso: eu resolvi ter três filhos, né? Então, “toma que o filho é teu”, como diria minha tia-avó. Quando eles ficarem maiores e adolescentes e não tiverem saco pra viajar com os pais, a gente viaja sozinho. Ponto



Franchico no Jardim Tulliers

Chuva e cansaço também rolou

E teve amor em triplo

Bella e Maria nos jardins de Versailles


No sul da França em uma aventura com seis crianças

Pont Du Gard


Com a Lili e os nossos, faltou FranChico que tava no mochilik


Tenho muita história para contar e vou tentar dividir os posts sem me alongar muito. Vou tentar compartilhar aqui a nossa experiência e o que funcionou e não funcionou pra gente. Pra começo de conversa, aí vão algumas dicas e coisas que planejamos antes da viagem que foram essenciais para nós e para viajar com três crianças pequenas.

- Alugue um apartamento
Nós alugamos um apartamento no Airbnb e foi ótimo! Super recomendo. Alugamos com um brasileiro, mas ele não estava em Paris e quem entregou as chaves foi um amigo dele francês que nos deu altas dicas (inclusive que nosso apto ficava a 500 m de uma das melhores padarias de Paris) e depois ainda levou a gente no Marais mostrando tudo! E levou um vinho de presente pra gente! Conseguimos um apartamento um pouco mais afastado do centro, mas com um preço ótimo e em um bairro bem tranquilo, no 20° . Como não era uma localização turística, achamos que as pessoas foram mais pacientes e simpáticas quando atenderam a gente. Aliás, eu me surpreendi muito com os franceses, sempre escutei coisas horríveis sobre eles serem grossos e blá blá blá, mas encontrei muitas pessoas simpáticas e dispostas a nos ajudar, não sei se é porque estávamos com crianças. E começar uma conversa sempre com um “bonjour” ajudava, eles apreciam o esforço de tentar falar francês.

- Leve um carrinho e/ou mochilik
Nós levamos o carrinho duplo das meninas e já prevíamos que elas iam dominar os assentos em todos passeios. Minha ideia era levar o Francisco no sling, de preferência o wrap, mas aí encontrei o mochilik da Petliksling (http://www.petliksling.com.br/)e foi além das minhas expectativas. Ele alia o aconchego do sling com a praticidade do canguru e foi perfeito. Francisco passou muito tempo ali comigo, dormindo ou acordado, quase não ficou no carrinho. E quando íamos para os parques ele ficava solto brincando com as meninas. Usei todos os dias e agora que voltamos estou até sentindo falta de usar, pode? Super recomendo! Um produto 100% brasileiro e acomoda muito bem os bebês e crianças até 20kg.

- Prepare-se para perder dinheiro
Essa parte eu descobri no meio do caminho. Quando você sai com três crianças sempre tem gastos imprevisíveis para começo de conversa, seja um brinquedo, muitos lanchinhos no meio dos passeios ou imprevistos. Nós tivemos que comprar dois carrinhos lá porque perderam o nosso, por exemplo. Por sorte, acharam logo em seguida e, no fim, ficamos com três carrinhos sem saber o que fazer. Também deixamos sacola cheia de comida em loja, esquecemos tickets de metrô no apartamento, compramos ingresso errado em Versaillhes, e o pior de todos: perdemos nosso voo para Montpellier e a passagem não era reembolsável, ou seja, preju total, porque chegamos atrasados no aeroporto.

 - Faça um roteiro tranquilo mas não se apegue
Quando a gente resolveu ir, minha amiga, que mora na França e tem três filhos, me aconselhou a fazer um passeio/local por dia. Mas eu a louca surtada das viagens que quer fazer mil coisas pensei que podíamos esticar até uns três. Porém, ela estava certa. Acho que só conseguimos ir em dois lugares um dia só. Ainda sim, como tinha programado dois lugares todos os dias foi bom porque me deu opções. Pegamos dois dias de chuva e tivemos que improvisar na hora o que fazer. E alguns lugares que eu queria muito conhecer como Montmartre (Amelie não foi dessa vez) e o Museu Rodin e não deu. O bom é que agora vou ter que voltar lá, né?

- Não tenha medo do avião

Um dos maiores medos do Marco era passar nove horas dentro do avião com os três, mas foi super tranquilo e muito disso porque estávamos tranquilos também. Vimos que não ia ter jeito, era preciso passar por aquela etapa para chegar no nosso destino, então relaxamos. Pras meninas, andar de avião foi o máximo. Em algum ponto da viagem, eu perguntei pra Bella: o que você mais gostou até agora? E ela disse: do avião! Hahahahahaha Francisco se comportou bem também e milagrosamente ficou no meu colo numa boa. Levamos brinquedos, caderno de colorir, massinha, mas o entretenimento mesmo foi o avião, de fato. O que foi terrível: ficar cinco horas no aeroporto de Lisboa para pegar o voo para Paris. Foram as piores cinco horas da minha vida porque a gente não dormiu direito no voo e as crianças estavam super agitadas, Portanto, se você vai fazer escala aconselho que o intervalo seja de umas duas horas no máximo, foi assim pra gente na volta e foi ótimo. A volta foi um voo de dia e foi bem cansativo, Francisco não queria ficar no colo do Marco e chorava horrores quando eu ia no banheiro, não conseguimos bercinho então ele ficou no meu colo o tempo todo, além disso, não tinha muito o que ele fazer então o bichinho grudou no peito. Eu não consegui comer direito e acabei passando mal com náuseas, essa parte foi bem chata. No mais, meu conselho para avião é simples: tranquilidade, paciência e desapego dos olhares alheios quando o seu filho chora funcionam bem. 

Aguardem mais posts com o resto da viagem porque tem é história pra contar ;)


sábado, 9 de maio de 2015

Viva o dia, mães

Eu queria escrever um texto lindo e fofo sobre o Dia das Mães, mas não consigo. Daqui a dois dias nós vamos fazer nossa primeira viagem internacional como família de cinco. Serão horas de voo com três crianças pequenas e uma verdadeira aventura em terras desconhecidas. E eu tenho certeza que vou escutar muitos comentários de que sou “corajosa”, “que loucura” e etc. E isso me faz pensar em como nós, mães modernas, temos uma tendência muito grande a não acreditarmos em nós mesmas. Estamos sempre achando que não vamos dar conta de tudo, casa, filho, marido, trabalho. Duvidamos da nossa capacidade de gerar, parir e cuidar. Carregamos medos que não são nossos, lutamos contra a entrega e as noites sem dormir. E, por fim, analisamos tudo. E, sim, apesar de tudo isso, temos todo o direito de reclamar e não precisamos dar conta de tudo e sermos mães perfeitas.

A verdade é que meu desejo de Dia das Mães é que tenhamos mais confiança no nosso instinto e na nossa capacidade de dar jeito em tudo. Porque sim, as mães conseguem transformar o impossível no possível. Que deixemos de lado o “ah, eu nunca conseguiria fazer isso” ou o “aqui em casa isso não dá certo” e que possamos acreditar mais na nossa determinação. Que no lugar de reclamar, a gente simplesmente faça. E viva. Viva cada dia com nossos filhos, entendendo que o caos faz parte, que dias ruins virão, mas que é preciso aproveitar tudo, descobrir o mundo de novo com eles e crescer junto.




Porque ser mãe é transformador. É bom demais. E sim, nós podemos. Se há alguém no mundo mais capaz de conseguir o que quer são as mães. 

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Um longo desfralde

Eu era a pessoa mais empolgada do mundo para fazer o desfralde de duas crianças. Era uma coisa linda, me livrar das fraldas, independência, imagina a economia! Por isso, era uma questão de necessidade também porque eu me pegava pensando como seria trocar fralda de três crianças ao mesmo tempo, já que tudo começou quando eu estava grávida do Francisco. Tentei duas vezes durante a gravidez e não deu certo. Na primeira vez, achei que elas não estavam prontas e quando elas deram um sinal mais efetivo eu já estava com mais de 30 semanas e era difícil ficar limpando xixi no chão e abaixando para tirar e colocar calcinha, vamos combinar.

Depois que elas entraram na escola, a Maria deu alguns sinais e resolvemos tirar a fralda. A Bella acabou indo no embalo, ela não deu sinal algum, aliás. Aconteceram vários acidentes, muitos mesmo. Quase todos os dias xixi na calcinha e nada de cocô no vaso. Ou era na calcinha ou acabava na fralda. Foram meses nessa, e conversa com a professora, e coloca fralda de novo ou não, tira de vez e vamos ver, vaso, penico, vaso, grama, penico, chão. Quando a gente saia, colocava fralda e acho que isso só dificultou o processo. Tudo o que eu lembro é que foi longo. Durou quase um ano.

Tempos depois, como quase sempre acontece aqui em casa, as meninas mudaram de posição. A Bella simplesmente desfraldou total e a Maria fazia xixi direito no vaso, mas cocô era sempre na calcinha. Ela não queria fralda. Ela simplesmente fazia cocô e não pedia e nem avisava depois. A gente só via aquele bolo na calça ou na calcinha, eventualmente, ou sentia o cheiro. Foram, no mínimo, seis meses limpando cocô na calcinha. Sem contar as inúmeras aventuras que passamos quando isso acontecia em lugares públicos.


Além, obviamente, do trabalho de cuidar, limpar e tentar ensinar que cocô era no vaso e etc, ainda tinha o desgaste emocional. Tentamos de tudo, a gente conversou, brigou, perdeu a paciência, criou estratégias, tentou adivinhar as expressões dela para antecipar o ocorrido, leu livros, conversou, conversou, conversou. Pensei até em fazer um sistema de premiação, algo que sou totalmente contra, mas fiquei com medo de ser fisiológico e ela ficar ainda mais frustrada porque não tinha ganhado uma estrelinha no quadro.

Eu sempre me questionando o que eu estava fazendo de errado? Me sentindo fracassada em ensinar algo tão simples pra minha filha. Por que? Quando eu conversava com alguém sobre o assunto sempre vinha aquela pergunta: “mas será que ela não precisa um pouco mais de atenção?”. E aquilo, no fundo, doía em mim. Como assim falta de atenção? Eu que estou sempre presente, fico em casa com eles, estou totalmente dedicada à maternidade, ainda sim falta atenção? Bem, podia ser que sim. Eu estava totalmente perdida nessa.

Até que eu resolvi parar de ficar obsessiva com aquilo. Tinha que limpar cocô na calcinha todo dia. Tudo bem. Bora limpar. A gente passou a ver isso como um processo e não como um problema. Uma hora ela ia aprender. Tivemos uma conversa com a psicóloga da escola que abriu meus olhos também e me deu um porquê, que aquele era o tempo dela, que era uma forma dela ainda ser bebê, e que aquela podia ser uma reação tardia ao nascimento do irmão.

Então, um belo dia, ela começou a fazer cocô no vaso. Foi assim, foi lá e começou a fazer. Tão simples e tão complicado ao mesmo tempo. Mas não são assim todas as coisas que passamos com a maternidade? Teríamos feito alguma coisa diferente? Ou será que foi deixar de rotular e focar no problema para ele ser resolvido? Eu e o Marco nos entreolhamos depois de muito debater sobre o assunto e demos de ombros. Seria mais uma daquelas coisas sem explicação que acontece quando nos tornamos pais. Foi tal coisa ou tal coisa? Não sabemos, mas aprendemos com eles que as coisas se resolvem e que a vida acontece, nos resta guiá-los pelo caminho, sabendo que de vez em quando vamos cambalear, voltar atrás, tentar de novo, e torcer sempre pelo melhor. E entender que nem tudo precisa de explicação, motivo, causa e efeito, mas que existe o viver.



Ah, sim e a minha conclusão do desfralde é o seguinte: eu acho que fiz tudo errado, número um. Segundo: não force, quando a criança estiver pronta, ela vai estar pronta. 

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Parquinhos de Brasília - um Guia - Para começar: Parque Olhos D' Água


Quem acompanha o blog ou a gente lá no instagram @familiamoderna sabe que por aqui somos super fãs de parquinho. Acho que brincar na areia, subir nos brinquedos e descobrir novos lugares ajudam muito no desenvolvimento da criança, além de ser um ótimo entretenimento pra família toda. As meninas foram a primeira vez pro parquinho quando tinham uns 11 meses, quase 1 ano, e foi uma loucura. Comiam areia, folha e quando fui sozinha com as duas a primeira vez foi uma loucura, cada uma corria pro lado, sufoco total! Mas eu adorava! E elas também. (Aqui um post das antigas sobre como parquinho é legal) E o parque fez parte da nossa rotina diária até elas entrarem na escola com dois anos. E lá elas têm uma hora de parquinho todos os dias também. O Francisco vai pro parquinho desde sempre. Como não, né? Mas o contato com a areia aconteceu agora com 9/10 meses e ele ama! Aliás, não come tanta areia quantos as irmãs faziam. Aleluia!

Esse blábláblá todo foi para dizer que resolvi começar uma série nova aqui no blog. Um guia de parquinhos de Brasília para inspirar pais e mães a se aventurarem pela cidade também. Temos sorte de ter pelo menos um espaço com brinquedos em cada quadra, mesmo que eles não sejam novos ou perfeitos, mas temos muitas opções. Por isso, resolvi compartilhar aqui nossas explorações em terras de parquinhos brasilienses. Pegue seu baldinho, água e frutas, e vamos lá! Essa é apenas uma parte da nossa experiência nesses lugares, por isso saia de casa e descubra o que a nossa cidade tem de melhor também.

Para começar, um parquinho novo! O recém-inaugurado parquinho de areia do Parque Olhos D´Agua, fomos nesse parque nas férias das meninas em dezembro/janeiro e que diferença das crianças de lá pra cá!


Parquinho do Parque Olhos D' Água 

Onde fica: na altura da 213/413 Norte

É legal porque: fica no parque e os brinquedos são de madeira novinhos. Tem sombra de sobra e pouco movimento durante a semana. Tem chuveiro (quando fomos lá o chuveiro não estava funcionando, mas tem outro perto do quiosque) e banheiro por perto, e ainda dá pra explorar o parque. Além disso, fica no centro de Brasília.

Não tão legal assim: é a areia é branca e gruda na pele igual brilhante, mas nós gostamos disso também. Falta opções para estender uma canga e fazer um piquenique, mas ainda sim dá pra improvisar.









 No caminho do parque
No fim do passeio, banho de chuveirão pra tirar a areia grudenta