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segunda-feira, 21 de julho de 2014

Dois divertidos e enlouquecedores anos de duas

Dizem que são os terríveis dois. Tá, fácil não é, e isso é verdade. Mas é como diz o troll de Frozen sobre os poderes da Elsa "também há beleza nele" (desculpe, mas estamos viciadas no filme, eu amo hahahahaha). Aqui passamos por uma mudança enorme quando as meninas completaram dois anos e, para completar, um mês depois o Francisco nasceu. É claro que eu acho que rolou um ciúme, adaptação da escola e as próprias características da idade. Então, foi um turbilhão de emoções de todos os lados. Era choro, lamento, grito, muita briga entre as duas, e eu e o Marco muitas vezes nos olhávamos desanimados sem saber o que fazer. É aquela coisa que acontece toda vez que a gente passa por uma fase difícil com as crianças: primeiro bate o desespero, depois a gente começa a ver as coisas de outras orma, cria estratégias, se acalma e a coisa começa a fluir.

Passamos por algumas semanas bem difíceis logo depois que o Francisco nasceu. Chorei muito, estava cansada, desanimada, confesso que não me sentia conectada com as meninas, não conseguia conversar, explicar, ter paciência. Era sempre choro e confusão. Até que eu comecei a ver as coisas de outra forma e entender o que estava acontecendo, não ficar pré-assumindo que era "ciúmes" ou "tá fazendo para chamar atenção". Sim, elas queriam atenção e precisavam disso, mas porque estavam passando por um processo novo, estavam se descobrindo como pessoas, queriam impor suas vontades e, tanto eu quanto Marco, precisávamos entender isso.
Independentes. Adoram abrir a geladeira e escolher o que querem comer.
Depois que a gente relaxou e começou a conversar e negociar a coisa mudou de figura. Não adianta ver a criança chorar e dar as costas. E agora nem sempre a distração dá certo na hora da crise. Tem que lidar com o problema, afinal é isso que temos que que ensinar pra elas. A lidar com a frustração. E você aí achando que cuidar de bebê é difícil, bem que minha mãe me disse: "na hora de EDUCAR é que o bicho pega". E mães sempre tem razão, não é não?

Então, a gente passou a pegar no colo e explicar, conversar, mas também aprendeu a mudar de foco e a fazer tudo ao mesmo tempo. Haja jogo de cintura e paciência. Foi um processo até conseguirmos respirar de novo e nos sentir seguros como pais. A gente precisou mudar também e entender que a Maria e a Bella estavam crescendo e que era nosso dever mostrar o caminho pra elas, ainda que mais parecesse missão impossível. Então, tentamos ver a parte divertida disso tudo também. Todo dia de manhã a Maria queria escolher a roupa dela e aí começava uma negociação sem fim. Ela queria colocar uma regata e tava um frio terrível lá fora. Então, eu respirava e pensava "tudo bem, vamos colocar a regata, tá bom? Mas podemos colocar essa blusa por cima?". E ela falava "tudo bem, mamãe". Ufa! Outro dia, ninguém queria almoçar, bagunça e caos. Poderia ficar brigando e dizendo: "não, vai almoçar sim e agora!" E dá-lhe chororô e etc. Mas, não. Peguei uma toalha de piquenique, estendi no meio da sala e perguntei: "vamos fazer um piquenique?". Elas sentaram comeram um pouco da comida e um tanto de fruta. Pronta, já estava satisfeita e não me estressei.

Dois anos também é uma fase pra lá de divertida, talvez para compensar o caos todo. É cada coisa que elas fazem ou falam, principalmente, falam, que enchem meu coração de alegria. Hoje mesmo estava levando as duas pra escola quando a Bella virou pra mim e disse "mamãe, eu estava pensando". O que? Um pingo de gente falando pra mim que tava pensando, como pode. Pensando em quê? "No Zoológico". Sem contar nos abraços, beijos e "eu te amo". É tudo mais real e sincero. É descobrir um novo mundo com elas. Explico, converso, aponto e me descubro de novo. Se antes eu era uma mãe cheia de regras, que insistia, tinha rotina, agora eu sou muito mais leve, precisei me reinventar nos dois anos também. Não quer fazer, não quer comer, não quer nada? Vamos pelo outro lado, ver de outro jeito. Abraçar a ternura, ser menos dura com elas e comigo. De novo, me reencontrei, como tenho feito desde que elas nasceram. Desde que me tornei mãe.

Ah e essa vai para os pais de gêmeos: os dois são dobrados pra gente. Lidar com a crise de duas é extra dose de paciência, as brigas então é uma maravilha (pra não dizer o contrário) mas sobrevivemos como sobrevivemos a tudo. E a parte boa vem com tudo. Elas estão cada vez mais companheiras, amigas, se chamam pra tudo, se abraçam, brincam, batem altos papos juntas. Cuidam tanto uma da outra. É a coisa mais linda de se ver. E faz tudo valer a pena.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Tempo, tempo, tempo, tempo

Que saudades de escrever neste blog. Vontade de colocar aqui na tela as dezenas de posts imaginários que eu já fiz nos últimos meses. Escrever sobre a loucura estar sendo descobrir o mundo com duas meninas de dois anos e todas as negociações que eu faço por aqui diariamente com dois pingos de gente. Escrever sobre o Francisco e todo o significado que ele trouxe pra vida da gente. Escrever sobre como eu estou digerindo meu parto ainda. Sobre a amamentação, sobre ter um recém-nascido, sobre alimentação da família tosa, sobre como sair com três crianças. Mas, cadê o tempo? Estou me vendo cada vez mais sem ele. Tem casa, crianças, loja, agora inventei que quero vender bolo e estou planejando um novo negócio com meu irmão. Então, algumas coisas ficam de lado, como eu e o blog. Mas já passei por isso antes, quandp tive as meninas, e sei que em breve o tempo e eu vamos fazer as pazes. Meu objetivo (e acredito que grande parte das mães) é se organizar de vez. Fazer lista, ter horários e ainda deixar um espaço livre, porque esses também são necessários. Já estou tentando, minha gente! E tentar já é o primeiro passo. Me aguardem que estarei mais aqui. Enquanto isso, deixo algumas fotos do que tem acontecido por aqui ultimamente, afinal a vida não é feita só de caos e copa! E quem quiser, pode acompanhar nosso ritmo freneticamente pelo instagram @familimoderna

sexta-feira, 16 de maio de 2014

A vida com três

A vida com três é bem corrida, como vocês devem imaginar, e por isso, tá tão difícil escrever. Muita gente tem me perguntado como está o nosso dia a dia e o nosso novo esquema, por isso vou tentar resumir aqui, ainda que quase sempre tem sido uma caixinha de surpresa e a mudança chegou com força e ainda permanece na nossa vida. Francisco está perto de completar dois meses e continuamos no processo de adaptação, tentando criar uma nova rotina. Antes de contar o agora, preciso voltar para o antes, ou melhor, o depois, depois do nascimento dele, a volta pra casa.

Confesso que quando voltei pra casa do hospital, dei uma surtada básica. Estava tão cansada, me sentindo fraca (normal no pós-parto) que pensei: "meu Deus, como vou cuidar de três?". Não tinha energia nenhuma para ficar com as meninas ou brincar com elas e isso foi bem chato, além disso bateu uma culpa terrível. Era muita mudança pra mim e pra elas. O Marco ficou mais por conta delas e meus pais também ajudaram muito nesse processo. Eu surtava, mas sabia que era uma fase e que o cansaço absurdo ia passar. Mas foi nessa hora que decidimos, de supetão, mesmo porque não estava nos nossos planos, e isso é assunto para um outro post, colocar as meninas na escola. O Marco ficou em casa e juntou a licença com mais 15 dias de férias. Quando ele voltou a trabalhar fomos entrando em um novo ritmo aos poucos e com o caos básico que uma família em fase de transição comporta. Em dois meses e meio aconteceu muita coisa, mas no momento a nossa rotina está assim:

Manhã
Eu acordo primeiro com o Francisco, obviamente. Até semana passada ele tinha o seguinte esquema, acordava para mamar 4 ou 5 da matina e ia acordando de uma em uma hora e lá pelas 7 ou 8 justamente quando as meninas acordam ele ficava acordado de vez. Um pouco antes disso eu acordava o Marco e passava ele pra ele e ia tomar café da manhã com certa tranquilidade. Agora ele está acordando 6/6h30 e depois dorme de novo. Uhu! O que me deixa livre para fazer o que eu tiver que fazer até a hora das meninas acordarem que tem sido por volta das 7h, sendo elas dormiam até 9h há duas semanas atrás. Viram como tudo muda por aqui? Então a gente vai se adaptando.

Preguiça matinal

Quando as meninas acordam é hora de ir pra sala tomar café com elas enquanto eu o Marco nos dividimos em quem faz café e quem fica com elas e no meio tempo ainda vamos no banheiro, cada hora um. Aí troca de roupa, come, brinca e no meio disso tudo Francisco mama de novo. Tenho faxineira duas vezes por semana, quando ela está em casa a gente fica mais livre porque ela faz o almoço, então tenta descer com elas, passear, fazer alguma coisa. Quando ela não vem eu tento fazer o almoço, varrer a casa, colocar roupa pra lavar e isso é meio caótico, eu e o Marco vamos revezando, mas nem sempre funciona e quase sempre a casa fica bagunçada. Às vezes minha mãe me socorre e vem fazer almoço ou manda alguma coisa, o que é ótimo!

Brincadeira no corredor, sempre um sucesso

Lavando a louça

11h30. É hora do almoço. O Marco tem que sair pra trabalhar meio-dia. Eles almoçam juntos e eu tb se o Francisco não estiver mamando, o que é raro. De manhã ele tem sonecas muito curtas, acho que em grande parte por culpa da bagunça e gritaria. Mas, ultimamente, as meninas não têm curtido almoçar esse horário, então elas acabam almoçando comigo depois de meio-dia e quando eu fico com elas sozinha, minha gente, preciso admitir que rola uma televisão básica, mickey que elas adoram, de preferência. E é nessa hora que eu tento dar atenção pra todo mundo ao mesmo tempo. Cada dia é diferente. Tem dia que uma das duas faz cocô e tenho que dar banho porque sujou tudo, ou as duas, ou alguém que tentou fazer cocô no penico e errou o alvo, ou Francisco que fez cocô e vazou pras costas. (Ultimamente minha vida tem se resumido a cocô, xixi e algumas vomitadas de leites, sim ter filhos é nojento. Aí dou banho e coloco roupa nas duas enquanto Francisco chora no moisés ou dorme no sling (já aconteceu as duas situações). Se tá muito caótico tento colocar um DVD no meu quarto e dar de mamar pro Francisco deitada junto com elas, ainda que elas fujam e mexem no que não pode, como no dia que elas pegaram um saco de pão de forma e comeram um pedaço de cada fatia, e eu finjo que não estou vendo. Eu olho constantemente pro relógio e espero dar 13h30 que é a hora que meu pai leva as duas pra escola. Quando elas estavam na adaptação e até alguma semanas depois, eu ia junto com o Francisco, levar e buscar, mas pra ele era super estressante e ele chorava horrores no bebê conforto, então meu pai assumiu a tarefa grandiosamente e elas amam andar no carro do vovô e outro dia eu fui buscar as duas e nada de abraço na mãe, elas foram correndo atrás do vovô (as mãe pira).  

Tarde
Quando as meninas saem de casa, em 90% das vezes Francisco está mamando, e aí ele mama pra valer. Uma, duas horas de peito sem parar, acho que ele aproveita o silêncio e a minha exclusividade. Depois ele dorme bem, mas aí depende do dia também. Hoje, por exemplo, mamou uma hora, dormiu uma hora e meia, mamou de novo e agora está aqui na minha frente na cadeirinha de balanço, brincando e conversando com ele mesmo enquanto eu escrevo. Às vezes eu sinto que não consigo fazer nada de tarde, só dar de mamar e no meio consigo arrumar alguma coisa da casa, responder um email, fazer um lanche caprichado. E quando eu vejo já são 18h e tá quase na hora delas chegarem com meu pai. Nessa loucura toda devo ter saído só umas três vezes sozinha com o Francisco, mas pretendo começar a andar por aí com ele.
 

Noite
As meninas chegam 18h30 super cansadas e com sono. Aí entra o modo dar banho, algo pra comer (odeio admitir, mas nem sempre é jantar, quase sempre é um vitamina de banana com leite de arroz), um pouco de TV deitadas na cama da mamãe e dormir umas 20h. Meu pai me ajuda a fazer grande parte dessa rotina noturna até o Marco chegar umas 19h. Enquanto elas estão deitadas na minha cama, a gente dá banho no Francisco.

Momento pós-banho na minha cama

Dependendo do humor/fome dele, eu coloco as duas pra dormir, se não vai o Marco. Sento entre as duas camas, canto uma música e elas dormem rápido. Depois, o Francisco mama, mama, mama e apaga. Demos sorte nesse quesito porque ele sempre dormiu bem essa hora da noite. E ele vai direto até meia noite e, essa semana chegou até às 3h da manhã! Viva! Então é essa hora da noite que eu e o Marco conversamos, jantamos, tomamos banho mas, basicamente, ficamos parados no sofá vendo TV e mexendo no celular, mortos de cansados.

Francisco e Bella na cama da mamãe  

Madrugada
O Francisco no primeiro mês, como um bom bebê, acordava de três/duas horas para mamar. Agora, como eu disse, acorda uma vez só, por volta das 3h, e acho lindo. Mas aí passamos por outra fase: as meninas começaram a acordar de novo. Rá, rá, rá. Juntou com resfriado, febre, crise de ciúme e uma menina que jogou a chupeta no lixo, e passamos por uma semana difícil com elas por aqui. Era muito choro e a gente tentava consolar, levava pra nossa cama e fomos tentando desesperadamente fazer dar certo e acho que encontramos um certo equilíbrio nesses últimos dias. Ufa!  

Cozinhar e arrumar a casa
Basicamente, faço essas duas coisas quando dá. Com uns dez dias depois do parto, eu já estava cozinhando e passando uma vassoura na sala, nada de limpeza pesada, mas foi uma forma de me sentir útil também, cuidar da minha casa. Agora, se tenho que fazer o almoço faço uma coisa rápida tipo macarrão uma carne com legumes e arroz. O Marco entra em ação nessa hora e fica com as crianças enquanto estou na cozinha, nem sempre a comida sai maravilhosa, mas dá certo. Como eu sou a louca obsessiva por bolos, eu prefiro ir pra cozinha do que dormir de tarde, por exemplo. E assim a gente vai levando. Também compramos uma máquina de lavar louça que tem ajudado muito na organização da cozinha. Mas acho que cada vez mais as coisas vão se ajeitando e vai ficando mais fácil de fazer tudo.

A nossa rotina está em constante mudança agora, mas sei que em breve a coisa fica estável. Para ser pai/mãe, é preciso saber que tudo é fase. Muita gente me pergunta: "como você dá conta?". Eu simplesmente faço, gente, me viro, sobrevivo. Ser mãe também é saber "dar um jeito", escolher batalhas, encarar o trabalho porque dá trabalho mesmo e viver o simples viver.

domingo, 11 de maio de 2014

Todo dia é dia das mães

Na escola das meninas não teve comemoração dos Dias das mães. Lá eles não celebram datas comemorativas, especialmente as comercias, por uma questão de linha de pensamento e um mérito que eu não vou discutir aqui, mas eu não achei ruim. Acho que no meio de todas essas homenagens carregadas com rosas e desenhos, existe um realidade mascarada que a gente esquece. A vida real da mãe que está ali na luta todos os dias, e essa é muito mais perto do meu coração agora do que um simples cartão com um "eu te amo, mamãe". Ser mãe é um constante aprendizado e teste de amor, todos os dias. É claro que tem aqueles abraços apertados que fazem a gente sentir um frio bom na barriga, mas também existe a escolha diária de se entregar para um ser, no meu caso, seres, cada vez que você levanta da cama e o seu caminho começa a fazer parte do deles também. A sua vida ganha um novo significado, guiar, educar e amar. Amar incondicionalmente com garra, com força, que muitas vezes exige que você supere tudo, até você mesma, para poder usufruir deste amor.

Ontem, em uma das piores noites da minha vida como mãe, enquanto eu fazia carinho na cabeça da Bella no escuro do quarto delas, fiquei pensando no significado todo desse Dia das mães, e em como eu não estava me sentindo iluminada, mas derrotada pela rotina, tentando buscar ar no meio de uma confusão que às vezes parece não ter fim. Tudo o que eu queria era que a paz e felicidade reinasse, como todas as mães, mas o caos parecia insistir. No meu primeiro Dia das mães como mãe de três, cartões, mensagens e homenagens piegas não vão significar nada, porque mais uma vez eu precisei me superar. Como toda mãe, eu estou tentando desesperadamente. E no fim, pensei em todas as mudanças que a minha família tá passando nesse último mês e poxa, eu podia falar: eu tenho uma família e sabe o quê? Como sempre é só uma fase, e tudo dá certo no final.


Nesse Dia das mães, eu desejo não só pra mim, mas para todas as outras mães, que a gente se cobre menos, sofra menos (pelo amor de Dios) e aproveite mais, não queira que tudo seja perfeito, não fique se comparando com os outros, abrace um pouco o caos, aprenda a ceder, respire fundo quantas vezes for necessário no dia e perceba, por fim, a sorte de fazer parte dessa loucura toda chamada maternidade. *Foto Quitandoca

terça-feira, 22 de abril de 2014

Receitinha - O brownie mais fácil do mundo

Quando a gente tem filhos, receita prática e fácil na cozinha é essencial. Aqui se bate aquela vontade de comer um doce (algo que no meu caso acontece constantemente desde a gravidez) tenho uma daquelas receitas deliciosas e vapt-vupt que a gente tanto gosta. Esse brownie tem só cinco ingredientes, não precisa de batedeira, não faz lambança e fica maravilhoso! Já fiz tantas vezes que não demoro nem 15 minutos no processo todo. Portanto, aí vai! E se você tiver aquele ovo de Páscoa sobrando aí em casa, ainda dá pra aproveitar pra essa receita!


Brownie mais fácil do mundo

1 barra de chocolate meio amargo (170g)
2 colheres de sopa de manteiga sem sal
1 xícara e 1/4 de açúcar
4 ovos
1 xícara de farinha de trigo

Em um bowl de vidro, coloque o chocolate picado (ou basta quebrar os quadradinhos) e a manteiga e derreta no micro-ondas (use a função derreter chocolate), misture de vez em quando. Depois de derretido, adicione os ovos e o açúcar, misture com um fouet (aquela colher aramada). Por último, adicione a farinha. Se quiser, coloque castanhas para completar. Forno pré-aquecido 200°, e fique de olho porque é rápido. Corte em quadrados e se joga!

Coloquei amendoas e chocolate branco derretido em cima da massa antes de ir pro forno.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Um filme de nós cinco

Poucos dias depois do nascimento do Francisco, tivemos uma oportunidade única de registrar um pouco da nossa rotina, a nossa casa e o nosso dia em família em filme. No fim da minha gravidez, conversei com a Lídia, leitora querida do blog que tinha acabado de abrir uma produtora de vídeo e queria fazer uma filmagem com a gente, sobre fazer um vídeo para capturar os primeiros dias na vida do bebê, uma coisa natural, nós cinco sem muita maquiagem ou firula, mas com certeza algo que a gente gostaria de relembrar no futuro e ver com a família toda no melhor clima "lembra como a gente era quando o Francisco nasceu?". E não é que deu certo?

Então, no nosso primeiro sábado em casa como cinco, a Lídia apareceu aqui com o Paulo, marido dela e super diretor, que é o homem atrás das câmeras, pra gente começar a filmagem. Os dois são pais de um menino lindo de 1 ano e entendem muito bem a dinâmica de uma família, além de terem uma sensibilidade artística incrível. A Lídia, além de editora dos vídeos, ainda por cima é pedagoga e brincou muito com Maria e a Bella inventando brincadeiras para não cansar as duas e tendo uma paciência de anjo com a situação toda. Nos sentimos em casa mesmo, cercado de amigos, e não de câmeras e fios, como num fim de semana tranquilo. Foi lindo e o resultado, mais lindo ainda.


Família Moderna: Ensaio from Infante Filmes on Vimeo.

A Infante Filmes, comandada pelo Paulo e pela Lídia, fica em Belo Horizonte, mas eles têm disponibilidade de viagem, inclusive para Brasília. Eba! Eles fazem não apenas ensaios lindos de família, mas também festas, batizados, comemorações com um olhar mais moderno e original. Vale a pena conferir o trabalho deles aqui e fiquem por dentro das novidades na página deles do Facebook para fazer um orçamento infantefilmes@gmail.com

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Amamentação, a revanche e a livre demanda

Aqui estou eu, pessoas! Consegui um tempo na vida que acontece por aqui para escrever um post que está na minha cabeça há semanas, mas obviamente o computador está cada vez mais distante de uma mãe de três em adaptação. Porém, vamos aproveitar o tempo disponível, certo?

Amamentar não é fácil. Ponto. Eu amamentei as meninas durante 7 meses e três semanas e foi uma luta. Eu não tinha me preparado pra isso, li uma coisa ou outra na gravidez, mas sempre pensava que era "instintivo", que eu e elas íamos saber o que fazer. Mas não foi bem assim. Como bebês pré-maturos, elas tinham dificuldade para sugar, acabaram recebendo complemento no hospital e eu super mal informada deixei, não procurei um pediatra antes para me orientar, e elas demoraram para pegar no peito e eu sofria. Fomos pegando o jeito com o tempo, mas continuei complementando. No fim de tudo, fiquei com o sentimento que poderia ter feito mais e dessa vez eu sabia que ia ser diferente. Estava preparada para fazer o que a amamentação mais nos exige: entrega, e as meninas me ensinaram isso da primeira vez.

Mama, Fran-chico, mama

Acho que antes de começar a contar como tem sido a minha experiência com o Francisco, precisamos definir uma coisa: livre demanda. Eu me lembro muito bem quando eu ouvi essa expressão, nos primeiros dias no hospital com as meninas, a minha concunhada perguntou: "o pediatra disse para vocês que era pra alimentar de três em três horas ou livre demanda?". Eu olhei pro Marco, ele pra mim, e os dois sem ideia do que aquilo significava ou se o médico tinha falado qualquer coisa do tipo. Pensei: "livre demanda é dar de mamar sempre que o bebê quiser? Então tô fazendo isso". Mas não estava. E livre demanda é muito mais do que isso. É dar de mamar quando o bebê tem fome, quando ele chora, quando ele não tem fome mas quer o peito, uma hora depois de ter mamado, meia hora depois de ter mamado, quatro horas depois de ter mamado, ou independente de quanto tempo ele passou sugando o peito, é não contar as horas (ainda que às vezes a gente conte, é tentar não se importar com elas)

* Para os futuros pais de gêmeos que passam por aqui, fica a dica do que não fazer: com as meninas a gente fez uma tabela com o nome de cada uma para anotar a hora que cada uma mamou e quanto tempo. Eu achando que estava fazendo a coisa mais maravilhosa e esperta do mundo, e achava que ia dar de mamar pra uma e esquecer da outra, mas isso foi um grande erro e atrapalhou muito. Estava focada na fome, na engorda e não no afago, em deixar o leite fluir. Não recomendo ou aconselho fazer tabela.

Com o Francisco estava tão confiante, pensava muito na amamentação durante a gravidez, que senti que até meu peito estava diferente. Fiz um pouco de preparação, mexendo nos mamilos depois do banho, mas não fiquei obsessiva. Quando ele nasceu, foi para a UTI por causa de um desconforto respiratório e nesse primeiro momento já perdi o que eu tanto queria: amamentar na primeira hora de vida. De novo a história se repetia, mais um bebê longe de mim logo depois do nascimento. Fomos visitá-lo e ele estava com a sonda, ele ia ficar mais um tempo em observação porque precisava fazer um exame de sangue pois tinha chance de infecção por conta da bolsa rota, procedimento de hospital. De tarde, tiraram a sonda e eu coloquei ele no peito. Ele deu umas sugadinhas e eu fiquei super feliz. Deixei ele lá com a boca no bico o quanto eu podia. Me falaram que podia voltar em três horas para tentar de novo (olha o tal do tempo lá).

Quando eu voltei, tentei dar o peito de novo e depois a enfermeira pediu pra gente sair um pouco porque ela ia dar o complemento. No caminho, encontrei com o pediatra que disse que ele ia ter alta, tudo ok com os exames. Yay! Demorou pra ele subir pro quartove ainda deram mais um complemento. A enfermeira que levou ele (que é leitora do blog e minha seguidora no instagram, olha que lindo!) me avisou que estava programado mais dois complementos. Nãaooooooooo. Falei pra ela que não queria e ela me apoiou. Ninguém apareceu de madrugada. Ufa. Afinal, se desse complemento ele não ia pegar o peito, oras. A fome é o que ajuda no tal do instinto, que existe sim, mas precisa de um empurrão nosso.

Nessa primeira madrugada juntos, tentei dar o peito depois de umas três horas e ele gorfou feio. Não insisti, achei que ele deveria estar cheio daquele complemento.  Deixei ele no meu colo e dormimos mais um pouco assim. No meio da minha jornada como mãe descobri que colo era bom e ajudava na descida do leite, ajudava a fluir. Nada de "ele vai ficar mal acostumado no colo", e lá ficamos nós. Até que só quando estava amanhecendo ele pegou mesmo no peito. E depois foi indo e foi lindo.

Nos dias seguintes meu bico feriu e o peito doeu, mas continuei porque sabia que era assim mesmo, tinha que "calibrar" a coisa toda. O remédio era o próprio leite que eu passava no bico sempre depois das mamadas. Depois o leite desceu, não me lembro quantos dias depois, mas não demorou. E aí venho um outra novidade. Francisco passou uma madrugada toda sem mamar direito, sugava e parava, lutava contra o peito. Fui logo achando que podiam ser gases. Não acordava ele quando ele dormia quatro horas seguidas, mas nesse dia fiquei preocupada porque ele não tinha mamado e estava dormindo muito. Liguei pra minha parteira para me orientar e ela matou a charada. Como o leite desceu, meu bico inchou e mudou o formato, por isso ele tinha que se reacostumar a sugar. Que alívio. Como já sabia o que era foi só insistir um pouco, usei em alguns momentos a concha de amamentação pra dar formato no bico, que ele voltou a pegar. Ufa.

Tivemos altos e baixos, como todas as mães têm. Alguns dias fico mais cansada e desanimada, cheguei a ficar tensa antes de colocar ele no peito algumas vezes porque doía, mas respirei e tentei deixar fluir, afinal era aquilo que eu precisava fazer, eu precisava alimentar meu filho. Em alguns dias, como um bom guloso, ele mama muito, de hora em hora, durante muito tempo em cada peito. E tudo bem, isso é livre demanda. Sei que talvez não seja fome, mas vontade de ficar perto. Em algumas ocasiões ele começou a dar umas reclamadas de leve e já pensei "ih, são gases" ou "por que ele está mamando loucamente desse jeito?". Aí lembrei de um texto do pediatra espanhol Carlos González que eu li há muito tempo atrás e resolvi ler de novo. E vi que estava no caminho certo.

E temos ficado assim. Não tenho ideia de quantas em quantas horas ele mama, às vezes meia hora, mas já chegou a ter cinco horas. É claro que é cansativo, ainda dói vez ou outra, e como bom terceiro filho eu não atendo o Francisco no primeiro chorinho ou barulho que ele faz no berço, mas estou sempre ali disponível com peito e amor. Sem contar as horas, apenas livremente.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Relato de parto do Francisco

Foram 38 semanas de preparação para um parto em casa. Na verdade, muito antes do bebê número 3 existir, a gente começou a pesquisar sobre o assunto e marcou um encontro com uma parteira para tirar dúvidas e ter certeza da nossa decisão. Dois meses depois, veio o exame de positivo. Pois bem, estávamos grávidos e decididos.

Durante toda a gravidez eu fiz o acompanhamento com o médico obstetra (primeiro um do plano de saúde, e depois um humanizado) e com a parteira. Amava minhas consultas com ela, afinal, não falávamos só do meu estado geral de saúde, mas trabalhávamos medos, relações, entrega e tudo mais que poderia influenciar meu parto. Foi mesmo um processo transformador durante toda a gravidez. E o trabalho de parto, ah, esse me marcou profundamente e confesso que até hoje estou tentando entender tudo o que aconteceu e me sinto grata pelo Francisco e por ele ter me ensinado tanto.

Quando eu fiz 37 semanas a ansiedade chegou. Como eu estava tendo contrações de treinamento há meses, pensei: "esse bebê não vai demorar pra chegar". A cada dia eu pensava: "será que é hoje?". Bem. trabalhei essa ansiedade com a parteira, fui fazer acupuntura e veio uma certa calma. Não existia controle, o jeito era esperar.

Dia 25 de fevereiro, terça-feira

No dia anterior, vieram os pródomos. Contrações de 10 em 10 minutos a tarde toda, mas depois de umas três horas, passou. Amanheceu o dia, e umas seis e pouco da manhã, levanto para fazer xixi e penso: "nossa, dormi tão bem essa noite, zero contração. É, hoje é que não vai ser". Na noite anterior, antes de dormir, rezei um pouco e pedi pra Deus me mandar um sinal de que estava chegando a hora. Meu maior medo era não perceber que o bebê estava chegando, não aproveitar o trabalho de parto. Rá, rá, rá, Tatiana.
 
Uma hora depois, sete e meia da manhã, acordo com um líquido escorrendo entre as pernas. "Marco, acorda! Minha bolsa estorou!". "Tem certeza?". "Tenho", disse, já levantando e vendo o líquido escorrer pelo chão. "Liga pra Paloma, então". Fui pro banheiro com o celular na mão, sentei na privada para deixar o resto do líquido escorrer e liguei pra parteira. Sabia que aquilo não queria dizer nada, bolsa rota não quer dizer que o bebê fosse chegar sequer naquele dia. Mas eu fiquei empolgada e feliz. Muito feliz porque estava perto de conhecer meu bebê.

Avisei quem tinha que avisar, meus pais, a fotógrafa e uma amiga que poderia vir ficar com as meninas, caso fosse preciso. Fui fazendo as coisas do dia, separando o material do parto e resolvi fazer uma malinha pro bebê, mas não a minha porque eu tinha certeza que não seria necessário. Meus pais chegaram e entraram no modo "arrumação" aqui em casa. E eu ia andando e o líquido descendo, toda hora alguém vinha com um pano para limpar o chão. E nada de contração. Depois do almoço, a minha parteira veio fazer um exame e viu que eu estava com 1 cm de dilatação e me disse uma coisa que ficou na minha cabeça depois que eu contei pra ela a história do sinal que eu tinha pedido: "eu queria entender uma coisa, por quê a pressa?". Eu fiquei brava com ela naquela hora, poxa, como assim, por quê a pressa? Eu quero conhecer meu bebê, oras, não posso querer que ele ou ela venham? O fato é que estava acontecendo.

Ela sugeriu que eu fizesse mais uma sessão de acupuntura para ajudar acelerar o processo, não queria muito fazer porque queria que fosse uma coisa mais natural, mas no fim decidi que não custava nada tentar. E conversamos sobre a coisa do risco de infecção que a bolsa rota traz, alguns médicos esperam apenas 12 horas, já vi gente esperar 10 dias, eu e o Marco estávamos decididos a esperar 48 horas. Saí para caminhar com ele pra ver se ajudava, fomos até a igrejinha que fica aqui perto de casa e rezei por mim, pelas meninas, pelo bebê. Queria abraçar aquilo tudo o que estava acontecendo, todas as mudanças que estavam por vir e queria que meu bebê chegasse bem ao mundo.

No fim da tarde: sessão de acupuntura. Saí de lá já com contrações, mas nada ritmado. Cheguei em casa, demos jantar pras meninas, meus pais e meu irmão estavam aqui, mas tudo o que eu queria era ficar um pouco quieta e sozinha. Eles foram embora, as meninas dormiram e eu e o Marco resolvemos deitar umas dez da noite porque não sabíamos o que poderia acontecer e poderíamos precisar do descanso. Meia-noite e meia senti uma contração bem forte, tão forte que não consegui reagir. Não sei se porque eu estava dormindo ou deitada, mas doeu muito. Esperei virem as próximas pra começar a marcar e elas estavam bem ritmadas e doloridas. Liguei pra parteira e pra fotógrafa e pedi pras duas virem porque tinha chegado a hora.



Elas chegaram e eu parei de marcar as contrações. Elas vinham, eu sentia, e pronto. A noite foi virando madrugada enquanto eles montavam a piscina na sala, eu respirava e fazia minhas caras feias quando as contrações vinham, e as meninas dormiam no quarto. Vomitei algumas vezes também.



Quando começou a amanhecer, fizemos um toque: 4 cm de dilatação. A  Paloma sugeriu que eu tomasse um banho com o Marco para relaxar e pensar no que estava tardando o processo. E isso só desacelerou minhas contrações, que começaram a ficar irregulares de novo. Eu comecei a ficar ansiosa e frustrada, por que o trabalho de parto não avançava?




Dia 26 de fevereiro, quarta-feira

Amanheceu e eu liguei pros meus pais e pedi que eles buscassem as meninas. A ideia é que elas participassem do parto, mas na hora achei melhor elas ficarem brincando com os avós, não ia conseguir me concentrar com elas aqui.



A ordem dos acontecimentos fica um pouco embaçada na minha cabeça agora. Em algum momento, comecei a conversar com a Paloma sobre a perda do controle, desliguei o celular para não deixar a ansiedade da família inteira (que já sabia que eu estava em TP). saí para caminhar mais uma vez com o Marco, escutei música, fiz um relaxamento com ajuda da parteira e comecei a chamar pelo bebê.



Mais um toque 6/7 cm. Ufa. Finalmente, pude entrar na piscina. Assim que eu entrei, me bateu uma onda de alívio. Até que eu mesma percebi: para onde foram as contrações. Quinze minutos sem nada!


Então, bora sair da piscina. Na hora que eu ia levantar veio uma contração bem forte e eu senti o bebê descendo. Mas tudo tinha desacelerado de novo. Nãoooooooo! Almocei um sanduíche, cochilei um pouco. Nós quatro, eu, Marco, Paloma e a Ana, a fotógrafa, começamos a ficar cansados e de tempo em tempo alguém dormia uns dez minutos. E até aquele cansaço todo de todo mundo me incomodava também.



Fomos caminhar no corredor de novo e em algum momento, falei com a Paloma: vamos tentar fazer a meditação de novo? E lá fomos nós. Fiquei respirando e chamando o bebê em cima da banqueta de parto. Chorei e disse que não ia desistir, pensei no bebê, foquei mais uma vez na respiração e a coisa engrenou de novo.



No meio da tarde, as contrações começaram a ficar mais doloridas e eu sentia que o bebê estava descendo. Tava indo! Dei uma animada comecei a testar outras posições, vi que em pé as contrações viam melhor e fui sentindo a dor. E doía! E se eu me retraía, a Paloma falava: deixa vir. E eu comecei a deixar.Também comecei a soltar o grito, não tinha mais como conter, na verdade, eu precisa dele. A Paloma colocou um recado na porta pros vizinhos não se assustarem.



A noite foi chegando e as meninas saíram para comer alguma coisa aqui perto de casa, ficámos só eu e o Marco. Cochilamos um pouco, as contrações pararam um pouco quando eu sentava ou relaxava, depois conversamos, nem me lembro o quê, e começamos a ficar em pé pra ver se as contrações vinham. E elas vieram de novo com força, bem perto uma da outra. A parteira e a fotógrafa trouxeram comida japonesa pra gente, consegui comer um pouco e sentei na bola pra sentir as contrações. A parteira foi descansar e ficamos só nós na sala mais uma vez. A Ana tava quase dormindo também e eu ficava "vamos, gente, ânimo! vamos ter esse bebê, não desanima não". Andei, fiquei em pé, senti as dores. Fui percebendo a madrugada chegando e era como se o meu ânimo estivesse indo embora também.
Dia 27 de fevereiro, quinta-feira
Resolvemos ir pro meu quarto. A fotógrafa ficou descansando na sala, o Marco deitou na nossa bola e eu fiquei apoiada na bola com a Paloma nas minhas costas fazendo massagem. E ela dizia: "tenta relaxar, descansar". E eu: "não, eu quero ter esse bebê. Por que ele não tá vindo?". Comecei a me desconectar de novo, não sabia mais o que pensar. Ah, como eu queria ver aquele bebê! E foi aí que eu falei alto pra parteira o que eu não queria admitir: "Paloma, eu não tô conseguindo visualizar ele chegando, não consigo imaginar o expulsivo ou a gente nos hospital, não consigo ver ele nascendo!" A minha sensação é que aqueles momentos de dor e de tentar vencer alguma coisa que eu sequer sabia o que era não ia terminar nunca. Eu estava cansada, todos estavam cansados e naquele momento eu senti que estava tudo desaparecendo da minha frente.

Foi quando a temida conversa, por todo mundo que deseja e quer um parto humanizado em casa, aconteceu. Era hora de ir para o hospital. A minha primeira reação foi, obviamente, dizer não. "Não quero fazer outra cesárea, por que ele não nasce? Eu tô chamando, eu quero que ele venha, eu tô pronta". Conversamos eu, ela e o Marco e no meio de tudo aquilo, eu sabia que não ia ter volta. Pedi pra Paloma fazer mais um exame de toque e os 6/7cm ainda estavam intactos. Isso, é claro, me desanimou horrores e me fez admitir que era hora.

Demoramos um tempo para arrumar as coisas, ligar pro médico e lá fomos nós pro hospital umas 2h e meia da manhã. Foi um longo caminho e as contrações no carro estavam fortes, aproveitei e gritei horrores. Chegamos lá não tinha quarto, ainda tentei conversar com o médico sobre tentar induzir e essa parte ainda ficou meio confusa pra mim, até que eu mesma admiti meu cansaço e falei: tudo bem, vamos lá ter o bebê.



Fizemos todos os procedimentos, anestesia foi horrível e foi tudo tão rápido que quando eu percebi o médico já estava perguntando se ele poderia falar qual era o sexo do bebê ou eu queria descobrir sozinha (quando o pediatra trouxesse pra mim). Eu já tinha combinado com a Paloma que queria que ela falasse assim que ele ou ela nascesse. E foi ela mesmo quem disse primeiro, bem baixinho, enquanto fazia carinho na minha cabeça. "É um menino". Era o Francisco. E essa foi uma das maiores emoções da minha vida. Olhei pro Marco e ele chorava muito, feliz. Nos nossos olhos cansados estava a felicidade pura. Um menino.



Ainda que o parto não tenha sido do jeito que eu queria ou imaginava, aquele era o nascimento do meu filho. Foram nove meses de preparo, cuidado e transformação não somente para parir, mas para recebê-lo nos nossos braços. Para sermos cinco. Não sinto que eu fracassei em relação ao parto, é claro que fiquei triste por não ter parido em casa do jeito que eu tinha sonhado, mas eu tentei. Tentei com todas as minhas forças, tentei muito e não me arrependo. Tentei e mudei, aprendi tanto nessa jornada do parto humanizado, conheci pessoas maravilhosas, enxerguei o outro lado, me senti cheia de vida como grávida e como mãe, tive segurança nas minhas decisões. O mais importante é e sempre foi o Francisco. A gente não se torna mãe apenas quando dá a luz, ser mãe é um processo e é preciso entender isso. O parto é apenas a porta de entrada para um longo, desafiador e pleno caminho. E como estou feliz de fazer isso de novo e para sempre, com Maria, Bella e Francisco.

Preciso ser piegas e escrever mais um pouco:
Não tenho palavras para agradecer o apoio e o carinho da minha parteira, a Paloma, não apenas pelo suporte no dia do parto, mas por ter me ensinado tanto e mostrado diferentes direções durante esses quase nove meses de gestação e que ainda faz parte das nossas vidas. Foi muito bom ter você ao meu lado nesse caminho.

Também ficaremos eternamente agradecidos à Ana Paula por ter tido tanta paciência e por ter ido muito além das fotos no dia do parto, ela fez parte do processo todo e me deu apoio em vários momentos. Tão lindo ver alguém que trabalha com amor.

Obrigada aos meus pais por entenderem minha decisão de tentar um parto em casa e me apoiarem hoje e sempre, e me mostrar o que é o amor incondicional. Sem eles nada disso teria sentido.

Para o Marco, meu agradecimento todos os dias por fazer parte da minha vida, por eu ter tido a sorte de encontrar o amor da minha vida. Por ser meu parceiro e ter mudado junto comigo enquanto esperávamos Francisco. Obrigada por ter me dado a oportunidade de viver meu sonho, de ter uma família do jeito que eu queria, essa é nossa maior realização. 



quinta-feira, 6 de março de 2014

Nasceu!

Para quem ainda não viu no instagram ou no facebook...

Nasceu Francisco. É um menino, gente!

Ele chegou na madrugada do dia 27 de fevereiro com 3,450 kg e 49 cm, em uma cesárea de emergência, depois de dois longos e intensos dias de trabalho de parto e bolsa rota.

Olá, mundo!

Hoje, Francisco completa uma semana e estamos completamente apaixonados por ele, Maria e Isabella em especial. Ainda estamos nos adaptando à rotina com três em casa, mas em breve chego aqui para escrever e contar como ele veio ao mundo.

Primeiro encontro dos três

Saída da maternidade

Maria e Francisco

Bella e Francisco

Francisco é um glutão, ama mamar e é muito paparicado pelas irmãs. E vamos escrever mais um capítulo novo nessa história. Por enquanto, o mundo continua instantâneo pra gente no instagram @familiamoderna, sigam-nos

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

A espera de um bebê

Eu já escrevi isso aqui no blog, mas preciso ser repetitiva: essa gravidez tem sido transformadora pra mim. Assim como o nascimento das meninas, mas no caso delas de uma forma muito menos consciente, esta foi uma oportunidade de superar medos, rever conceitos, superar e me descobrir de novo. Nem acabou ainda e já sinto falta, mas tenho certeza que o bebê vai continuar me ensinando muito, assim como as irmãs. Pois bem, chegaram as últimas semanas da gravidez e com ela veio a ansiedade. O desejo de ver o bebê bateu forte, claro, é quase fisiológico e completamente normal sentir isso. Mas como lidar com isso? Na minha primeira gravidez não senti isso porque as meninas nasceram com 34 semanas, então foi algo totalmente novo.


Isso xadrex é minha barriga ;)

No começo da semana, eu comecei a sentir contrações ritmadas, 10 em 10 minutos.  Pensei: "eba, será que o bebê já vem?". Mas sabia que provavelmente eram os tais dos pródomos. Mandei mensagem pro médico, doula, avisei marido e ainda liguei pro meu pai pra ele comprar uma última coisa da lista que estavam faltando. Meninas estavam dormindo, então, fui arrumar as gavetas da cômoda do bebê para não ficar pensando no assunto. Depois elas acordaram, recebemos uma visita e no fim da tarde as contrações já tinham passado. Ahhhhhhh. Mas o ciclo da ansiedade já tinha se instalado. Família ficou em polvorosa e eu e o Marco ficamos com aquele pensamento: será que é amanhã? Podia, mas também pode ser na semana que vem ou na outra ainda. Não há controle,  minha gente! Mas não interessa, a ansiedade bateu forte e tinha vindo pra ficar.

Então, teve que rolar um processo. Não queria fazer mais nada, manter compromissos, fazer coisas, só esperar o bebê. e isso não estava dando certo Conversei com a minha doula e com o Marco e, comecei a ver as coisas de modo diferente. A primeira coisa foi perceber que são raríssimos os casos em que o bebê nasce com menos de 40 semanas (leia-se: de parto normal). Me apeguei, de novo, ao lema "vivendo um dia de cada vez", fui fazer uma sessão de acupuntura para melhorar as dores no ciático e marcar um encontro com os amiguinhos das meninas. Coloquei na minha cabeça um novo prazo, perto da minha lua, e se não tiver chego até lá, crio um novo prazo. E, milagrosamente, parei de acordar e pensar: "será que vai ser hoje?". Fui fazendo essas pequenas coisas e consegui me libertar. Pode parecer simples mas não é, pode parecer difícil, mas é totalmente possível. E lá fui eu aprendendo mais uma vez.