quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Seis meses de Fran-Chico

Seis meses, mas parece que ele sempre esteve aqui. Seis meses com um menino doce, alegre, cabeludo, tranquilo e cheio de graça. Seis meses de amamentação exclusiva, muito aconchego e o mais puro amor. O que eu posso dizer sobre você, meu filho? Você chegou pra transformar nosso quarteto em quinteto, abre um sorriso pra todo mundo que fala com você, adora ver suas irmãs brincarem, adora mamar no peito e dorme a noite toda (uhu!), se adapta a qualquer situação e adora deitar e rolar no chão. Obrigada por me trazer paz e por me mostrar que a vida pode ser sim só alegria e por me fazer ser uma mãe mais leve, mais feliz. Tudo o que eu quero é ver você crescer e descobrir o mundo, junto com a gente. Viva o Fran-Chico! IMG_9133 IMG_9131 IMG_9122 IMG_9144

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Receitinha - Biscoitinho de nata

Manhã sem nada pra fazer, crianças entediadas e agora toda vez que isso acontece eu tento pensar numa atividade rápida, sem ser muito cansativa (porque se não começa rolar um chororô de sono antes de ir pra escola) e, por isso, ultimamente, nossas atividades favoritas envolvem desenho, pintura ou cozinhar. É bolo, pão e, hoje, foi biscoito. Achei a receita da minha infância, aquele biscoitinho que quando a gente morde chega sente o gosto das manhãs livres e cheias de brincadeiras que viveu: o biscoitinho de nata que a minha mãe fazia. Estava há séculos querendo fazer esse biscoito, antes mesmo de ter as meninas, mas nunca encontrava nata. Até que outro dia achei no mercado vendida em um pote entre as ricotas e queijos cottages da vida. Há um ano e meio atrás, cortamos o leite e derivados das meninas por conta da alergia, mas agora estamos voltando a dar uma coisa ou outra pra elas, com o aval da pediatra. Então, elas puderam não só fazer, como comer o biscoito. Foi uma farra (mas nem fez tanta sujeira assim uhu!)


Fizemos ainda de pijama. Detalhe


Eis que eu descobri porque esse biscoito rolava tanto lá em casa, além de levar pouco açúcar e ingredientes, é super fácil de fazer. Anotem aí.

Biscoito de Nata

Ingredientes
1 ovo
1 copo de nata
3 colheres de sopa de açúcar (usei o demerara)
2 colheres (sobremesa) de fermento
3 xícaras de trigo.

Modo de preparo
No caderno de receitas da minha mãe está escrito apenas isso: enrole e ponha pra assar. Oi? Hahahahaha Adorei, né mãe?


Deduzi que era pra misturar tudo, obviamente, mas fiz o seguinte: misturei primeiro o ovo, a nata (usei a medida de um copo de boteco), 3 colheres de açúcar com uma colher, depois coloquei o trigo e o fermento. Amassei um pouco com a mão, abri a massa na mesa da sala com um rolo e usei uns cortadores do Star Wars para diversão garantida com as meninas.

Depois é só ir pro forno rapidinho. 200°.

Untitled
Biscoitos prontos para irem pro lanche da escola junto com bolinho de arroz e tomatinho.

*os cortadores comprei no Ebay, é só colocar cookie cutter star wars que aparecem vários vendedores. Escolhe um top seller de se joga ;)

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Mais sim, menos não

- Mamãe, queio lavá loça!

Ela aponta pra pia habitada por potes e algumas formas de bolo e já vai puxando o banquinho pra subir. Eu respiro fundo e penso: "ah, não vai fazer uma sujeira, vai molhar todo o chão da cozinha, não vai dar certo". Depois, em uma fração de segundo me vem o pensamento na cabeça: "por que não?". Se eu tivesse dois anos e amasse brincar com água não ia adorar poder mexer na pia da minha mãe? Por que não deixar ela se divertir e ainda incentivar um bom comportamento de querer limpar alguma coisa? Só pela bagunça? Então, eu disse, "tudo bem, Maria, mas sem bagunça, viu?" Já rindo da ordem que não ia se concretizar, mas não custa nada lembrar. Logo depois veio a Bella com outro banquinho e elas ficaram ali, mexendo na água, passando a esponja, derrubando água de um pote pro outro. Fiquei perto das duas, mas deixei elas brincarem sem ficar em cima. No fim, bastou passar um pano no chão para secar a água e pronto.

Untitled
Concentradas

Ultimamente tenho pensando muito sobre o que é realmente impor limite e o que é limitar. Em ensinar o que não pode porque não é certo ou perigoso, por exemplo ou porque "faz bagunça, você não vai conseguir ou vai dar uma trabalheira danada". Acho que na verdade eu sempre pensei um pouco nisso, seja quando elas eram bebês e queriam pegar nos objetos "proibidos" ou mesmo agora com dois anos onde elas estão se descobrindo através do mundo e expressando com tanta força seus desejos. E eu sempre tentei deixar as duas livres, queriam mais era que elas se desenvolvessem e explorassem tudo. Mas, como diz uma amiga "ser didática dá trabalho". E muitas vezes a gente ainda vem com uma carga educacional muito antiga que diz "nossa, mas esse menino/menina pode fazer tudo, mexer em tudo, que absurdo". E, convenhamos, essa "liberdade" fez com que as meninas ficassem curiosas, queriam mesmo mexer, fuçar e eu me sentia super mal achando que não estava educando minhas filhas direito porque elas mexiam em tudo. E, confesso que até hoje não tenho certeza absoluta. Oi, meu nome é Tatiana, sou mãe de três e tentando desesperadamente encontrar o equilíbrio.

Untitled
Bella passando geleia no pão

No fim das contas, eu tenho dito mais sim, do que não para as minhas meninas. E pro meu menino tb, por que não? Ele tem o peito a hora que quer e quando quer. E pra isso, estou me libertando. Me libertando dessas amarras de que pais tem que impor limites, tem que dizer não o tempo todo. Pois estou descobrindo que dizer sim também é educar, e muitas vezes é muito mais difícil, porque o não, impede. O sim, faz acontecer. Estou usando o sim como um caminho, para ensinar também. Pode ser que outros pensem "mas elas mexem em tudo! Como assim ela abre a geladeira e pega o que quer?". Pois é essa a realidade, pais e mães julgam outros pais e mães, acostumem-se. Assim como eu penso: "mas por que não deixa a criança brincar na areia? Se lambuzar com terra? Ou tomar banho de água fria da mangueira". E blá-blá-blá. Cada um escolhe seu caminho e tenho aprendido cada vez mais sobre isso.  Cada família tem seu esquema e esse tem dado certo por aqui.

Tenho dito sim para as meninas quando elas querem se servir sozinhas no almoço. Faz bagunça, de fato, mas é uma forma de incentivar as duas a comerem melhor e sentarem na mesa com a gente. E elas adoram se servir. Dose de paciência e desapego necessários. Eu acho que nunca fiz tanta negociação na minha vida como agora, é negociação para escolher roupa, tomar banho, comer e, o sim, faz-se necessário. Outra coisa que me quebra aqui é o "por favor", "obrigada" e "desculpa", a gente ensinou pra elas desde de sempre e elas usam muito. Como não tentar reforçar uma atitude positiva dessa? Pois é. Estamos descobrindo juntos. eu, Marco e meninas todas essas novas facetas de ter dois anos e vamos em frente.
Com muito amor e sim, por que não?

Untitled
Untando forma de bolo

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Dois divertidos e enlouquecedores anos de duas

Dizem que são os terríveis dois. Tá, fácil não é, e isso é verdade. Mas é como diz o troll de Frozen sobre os poderes da Elsa "também há beleza nele" (desculpe, mas estamos viciadas no filme, eu amo hahahahaha). Aqui passamos por uma mudança enorme quando as meninas completaram dois anos e, para completar, um mês depois o Francisco nasceu. É claro que eu acho que rolou um ciúme, adaptação da escola e as próprias características da idade. Então, foi um turbilhão de emoções de todos os lados. Era choro, lamento, grito, muita briga entre as duas, e eu e o Marco muitas vezes nos olhávamos desanimados sem saber o que fazer. É aquela coisa que acontece toda vez que a gente passa por uma fase difícil com as crianças: primeiro bate o desespero, depois a gente começa a ver as coisas de outras orma, cria estratégias, se acalma e a coisa começa a fluir.

Passamos por algumas semanas bem difíceis logo depois que o Francisco nasceu. Chorei muito, estava cansada, desanimada, confesso que não me sentia conectada com as meninas, não conseguia conversar, explicar, ter paciência. Era sempre choro e confusão. Até que eu comecei a ver as coisas de outra forma e entender o que estava acontecendo, não ficar pré-assumindo que era "ciúmes" ou "tá fazendo para chamar atenção". Sim, elas queriam atenção e precisavam disso, mas porque estavam passando por um processo novo, estavam se descobrindo como pessoas, queriam impor suas vontades e, tanto eu quanto Marco, precisávamos entender isso.
Independentes. Adoram abrir a geladeira e escolher o que querem comer.
Depois que a gente relaxou e começou a conversar e negociar a coisa mudou de figura. Não adianta ver a criança chorar e dar as costas. E agora nem sempre a distração dá certo na hora da crise. Tem que lidar com o problema, afinal é isso que temos que que ensinar pra elas. A lidar com a frustração. E você aí achando que cuidar de bebê é difícil, bem que minha mãe me disse: "na hora de EDUCAR é que o bicho pega". E mães sempre tem razão, não é não?

Então, a gente passou a pegar no colo e explicar, conversar, mas também aprendeu a mudar de foco e a fazer tudo ao mesmo tempo. Haja jogo de cintura e paciência. Foi um processo até conseguirmos respirar de novo e nos sentir seguros como pais. A gente precisou mudar também e entender que a Maria e a Bella estavam crescendo e que era nosso dever mostrar o caminho pra elas, ainda que mais parecesse missão impossível. Então, tentamos ver a parte divertida disso tudo também. Todo dia de manhã a Maria queria escolher a roupa dela e aí começava uma negociação sem fim. Ela queria colocar uma regata e tava um frio terrível lá fora. Então, eu respirava e pensava "tudo bem, vamos colocar a regata, tá bom? Mas podemos colocar essa blusa por cima?". E ela falava "tudo bem, mamãe". Ufa! Outro dia, ninguém queria almoçar, bagunça e caos. Poderia ficar brigando e dizendo: "não, vai almoçar sim e agora!" E dá-lhe chororô e etc. Mas, não. Peguei uma toalha de piquenique, estendi no meio da sala e perguntei: "vamos fazer um piquenique?". Elas sentaram comeram um pouco da comida e um tanto de fruta. Pronta, já estava satisfeita e não me estressei.

Dois anos também é uma fase pra lá de divertida, talvez para compensar o caos todo. É cada coisa que elas fazem ou falam, principalmente, falam, que enchem meu coração de alegria. Hoje mesmo estava levando as duas pra escola quando a Bella virou pra mim e disse "mamãe, eu estava pensando". O que? Um pingo de gente falando pra mim que tava pensando, como pode. Pensando em quê? "No Zoológico". Sem contar nos abraços, beijos e "eu te amo". É tudo mais real e sincero. É descobrir um novo mundo com elas. Explico, converso, aponto e me descubro de novo. Se antes eu era uma mãe cheia de regras, que insistia, tinha rotina, agora eu sou muito mais leve, precisei me reinventar nos dois anos também. Não quer fazer, não quer comer, não quer nada? Vamos pelo outro lado, ver de outro jeito. Abraçar a ternura, ser menos dura com elas e comigo. De novo, me reencontrei, como tenho feito desde que elas nasceram. Desde que me tornei mãe.

Ah e essa vai para os pais de gêmeos: os dois são dobrados pra gente. Lidar com a crise de duas é extra dose de paciência, as brigas então é uma maravilha (pra não dizer o contrário) mas sobrevivemos como sobrevivemos a tudo. E a parte boa vem com tudo. Elas estão cada vez mais companheiras, amigas, se chamam pra tudo, se abraçam, brincam, batem altos papos juntas. Cuidam tanto uma da outra. É a coisa mais linda de se ver. E faz tudo valer a pena.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Tempo, tempo, tempo, tempo

Que saudades de escrever neste blog. Vontade de colocar aqui na tela as dezenas de posts imaginários que eu já fiz nos últimos meses. Escrever sobre a loucura estar sendo descobrir o mundo com duas meninas de dois anos e todas as negociações que eu faço por aqui diariamente com dois pingos de gente. Escrever sobre o Francisco e todo o significado que ele trouxe pra vida da gente. Escrever sobre como eu estou digerindo meu parto ainda. Sobre a amamentação, sobre ter um recém-nascido, sobre alimentação da família tosa, sobre como sair com três crianças. Mas, cadê o tempo? Estou me vendo cada vez mais sem ele. Tem casa, crianças, loja, agora inventei que quero vender bolo e estou planejando um novo negócio com meu irmão. Então, algumas coisas ficam de lado, como eu e o blog. Mas já passei por isso antes, quandp tive as meninas, e sei que em breve o tempo e eu vamos fazer as pazes. Meu objetivo (e acredito que grande parte das mães) é se organizar de vez. Fazer lista, ter horários e ainda deixar um espaço livre, porque esses também são necessários. Já estou tentando, minha gente! E tentar já é o primeiro passo. Me aguardem que estarei mais aqui. Enquanto isso, deixo algumas fotos do que tem acontecido por aqui ultimamente, afinal a vida não é feita só de caos e copa! E quem quiser, pode acompanhar nosso ritmo freneticamente pelo instagram @familimoderna

sexta-feira, 16 de maio de 2014

A vida com três

A vida com três é bem corrida, como vocês devem imaginar, e por isso, tá tão difícil escrever. Muita gente tem me perguntado como está o nosso dia a dia e o nosso novo esquema, por isso vou tentar resumir aqui, ainda que quase sempre tem sido uma caixinha de surpresa e a mudança chegou com força e ainda permanece na nossa vida. Francisco está perto de completar dois meses e continuamos no processo de adaptação, tentando criar uma nova rotina. Antes de contar o agora, preciso voltar para o antes, ou melhor, o depois, depois do nascimento dele, a volta pra casa.

Confesso que quando voltei pra casa do hospital, dei uma surtada básica. Estava tão cansada, me sentindo fraca (normal no pós-parto) que pensei: "meu Deus, como vou cuidar de três?". Não tinha energia nenhuma para ficar com as meninas ou brincar com elas e isso foi bem chato, além disso bateu uma culpa terrível. Era muita mudança pra mim e pra elas. O Marco ficou mais por conta delas e meus pais também ajudaram muito nesse processo. Eu surtava, mas sabia que era uma fase e que o cansaço absurdo ia passar. Mas foi nessa hora que decidimos, de supetão, mesmo porque não estava nos nossos planos, e isso é assunto para um outro post, colocar as meninas na escola. O Marco ficou em casa e juntou a licença com mais 15 dias de férias. Quando ele voltou a trabalhar fomos entrando em um novo ritmo aos poucos e com o caos básico que uma família em fase de transição comporta. Em dois meses e meio aconteceu muita coisa, mas no momento a nossa rotina está assim:

Manhã
Eu acordo primeiro com o Francisco, obviamente. Até semana passada ele tinha o seguinte esquema, acordava para mamar 4 ou 5 da matina e ia acordando de uma em uma hora e lá pelas 7 ou 8 justamente quando as meninas acordam ele ficava acordado de vez. Um pouco antes disso eu acordava o Marco e passava ele pra ele e ia tomar café da manhã com certa tranquilidade. Agora ele está acordando 6/6h30 e depois dorme de novo. Uhu! O que me deixa livre para fazer o que eu tiver que fazer até a hora das meninas acordarem que tem sido por volta das 7h, sendo elas dormiam até 9h há duas semanas atrás. Viram como tudo muda por aqui? Então a gente vai se adaptando.

Preguiça matinal

Quando as meninas acordam é hora de ir pra sala tomar café com elas enquanto eu o Marco nos dividimos em quem faz café e quem fica com elas e no meio tempo ainda vamos no banheiro, cada hora um. Aí troca de roupa, come, brinca e no meio disso tudo Francisco mama de novo. Tenho faxineira duas vezes por semana, quando ela está em casa a gente fica mais livre porque ela faz o almoço, então tenta descer com elas, passear, fazer alguma coisa. Quando ela não vem eu tento fazer o almoço, varrer a casa, colocar roupa pra lavar e isso é meio caótico, eu e o Marco vamos revezando, mas nem sempre funciona e quase sempre a casa fica bagunçada. Às vezes minha mãe me socorre e vem fazer almoço ou manda alguma coisa, o que é ótimo!

Brincadeira no corredor, sempre um sucesso

Lavando a louça

11h30. É hora do almoço. O Marco tem que sair pra trabalhar meio-dia. Eles almoçam juntos e eu tb se o Francisco não estiver mamando, o que é raro. De manhã ele tem sonecas muito curtas, acho que em grande parte por culpa da bagunça e gritaria. Mas, ultimamente, as meninas não têm curtido almoçar esse horário, então elas acabam almoçando comigo depois de meio-dia e quando eu fico com elas sozinha, minha gente, preciso admitir que rola uma televisão básica, mickey que elas adoram, de preferência. E é nessa hora que eu tento dar atenção pra todo mundo ao mesmo tempo. Cada dia é diferente. Tem dia que uma das duas faz cocô e tenho que dar banho porque sujou tudo, ou as duas, ou alguém que tentou fazer cocô no penico e errou o alvo, ou Francisco que fez cocô e vazou pras costas. (Ultimamente minha vida tem se resumido a cocô, xixi e algumas vomitadas de leites, sim ter filhos é nojento. Aí dou banho e coloco roupa nas duas enquanto Francisco chora no moisés ou dorme no sling (já aconteceu as duas situações). Se tá muito caótico tento colocar um DVD no meu quarto e dar de mamar pro Francisco deitada junto com elas, ainda que elas fujam e mexem no que não pode, como no dia que elas pegaram um saco de pão de forma e comeram um pedaço de cada fatia, e eu finjo que não estou vendo. Eu olho constantemente pro relógio e espero dar 13h30 que é a hora que meu pai leva as duas pra escola. Quando elas estavam na adaptação e até alguma semanas depois, eu ia junto com o Francisco, levar e buscar, mas pra ele era super estressante e ele chorava horrores no bebê conforto, então meu pai assumiu a tarefa grandiosamente e elas amam andar no carro do vovô e outro dia eu fui buscar as duas e nada de abraço na mãe, elas foram correndo atrás do vovô (as mãe pira).  

Tarde
Quando as meninas saem de casa, em 90% das vezes Francisco está mamando, e aí ele mama pra valer. Uma, duas horas de peito sem parar, acho que ele aproveita o silêncio e a minha exclusividade. Depois ele dorme bem, mas aí depende do dia também. Hoje, por exemplo, mamou uma hora, dormiu uma hora e meia, mamou de novo e agora está aqui na minha frente na cadeirinha de balanço, brincando e conversando com ele mesmo enquanto eu escrevo. Às vezes eu sinto que não consigo fazer nada de tarde, só dar de mamar e no meio consigo arrumar alguma coisa da casa, responder um email, fazer um lanche caprichado. E quando eu vejo já são 18h e tá quase na hora delas chegarem com meu pai. Nessa loucura toda devo ter saído só umas três vezes sozinha com o Francisco, mas pretendo começar a andar por aí com ele.
 

Noite
As meninas chegam 18h30 super cansadas e com sono. Aí entra o modo dar banho, algo pra comer (odeio admitir, mas nem sempre é jantar, quase sempre é um vitamina de banana com leite de arroz), um pouco de TV deitadas na cama da mamãe e dormir umas 20h. Meu pai me ajuda a fazer grande parte dessa rotina noturna até o Marco chegar umas 19h. Enquanto elas estão deitadas na minha cama, a gente dá banho no Francisco.

Momento pós-banho na minha cama

Dependendo do humor/fome dele, eu coloco as duas pra dormir, se não vai o Marco. Sento entre as duas camas, canto uma música e elas dormem rápido. Depois, o Francisco mama, mama, mama e apaga. Demos sorte nesse quesito porque ele sempre dormiu bem essa hora da noite. E ele vai direto até meia noite e, essa semana chegou até às 3h da manhã! Viva! Então é essa hora da noite que eu e o Marco conversamos, jantamos, tomamos banho mas, basicamente, ficamos parados no sofá vendo TV e mexendo no celular, mortos de cansados.

Francisco e Bella na cama da mamãe  

Madrugada
O Francisco no primeiro mês, como um bom bebê, acordava de três/duas horas para mamar. Agora, como eu disse, acorda uma vez só, por volta das 3h, e acho lindo. Mas aí passamos por outra fase: as meninas começaram a acordar de novo. Rá, rá, rá. Juntou com resfriado, febre, crise de ciúme e uma menina que jogou a chupeta no lixo, e passamos por uma semana difícil com elas por aqui. Era muito choro e a gente tentava consolar, levava pra nossa cama e fomos tentando desesperadamente fazer dar certo e acho que encontramos um certo equilíbrio nesses últimos dias. Ufa!  

Cozinhar e arrumar a casa
Basicamente, faço essas duas coisas quando dá. Com uns dez dias depois do parto, eu já estava cozinhando e passando uma vassoura na sala, nada de limpeza pesada, mas foi uma forma de me sentir útil também, cuidar da minha casa. Agora, se tenho que fazer o almoço faço uma coisa rápida tipo macarrão uma carne com legumes e arroz. O Marco entra em ação nessa hora e fica com as crianças enquanto estou na cozinha, nem sempre a comida sai maravilhosa, mas dá certo. Como eu sou a louca obsessiva por bolos, eu prefiro ir pra cozinha do que dormir de tarde, por exemplo. E assim a gente vai levando. Também compramos uma máquina de lavar louça que tem ajudado muito na organização da cozinha. Mas acho que cada vez mais as coisas vão se ajeitando e vai ficando mais fácil de fazer tudo.

A nossa rotina está em constante mudança agora, mas sei que em breve a coisa fica estável. Para ser pai/mãe, é preciso saber que tudo é fase. Muita gente me pergunta: "como você dá conta?". Eu simplesmente faço, gente, me viro, sobrevivo. Ser mãe também é saber "dar um jeito", escolher batalhas, encarar o trabalho porque dá trabalho mesmo e viver o simples viver.

domingo, 11 de maio de 2014

Todo dia é dia das mães

Na escola das meninas não teve comemoração dos Dias das mães. Lá eles não celebram datas comemorativas, especialmente as comercias, por uma questão de linha de pensamento e um mérito que eu não vou discutir aqui, mas eu não achei ruim. Acho que no meio de todas essas homenagens carregadas com rosas e desenhos, existe um realidade mascarada que a gente esquece. A vida real da mãe que está ali na luta todos os dias, e essa é muito mais perto do meu coração agora do que um simples cartão com um "eu te amo, mamãe". Ser mãe é um constante aprendizado e teste de amor, todos os dias. É claro que tem aqueles abraços apertados que fazem a gente sentir um frio bom na barriga, mas também existe a escolha diária de se entregar para um ser, no meu caso, seres, cada vez que você levanta da cama e o seu caminho começa a fazer parte do deles também. A sua vida ganha um novo significado, guiar, educar e amar. Amar incondicionalmente com garra, com força, que muitas vezes exige que você supere tudo, até você mesma, para poder usufruir deste amor.

Ontem, em uma das piores noites da minha vida como mãe, enquanto eu fazia carinho na cabeça da Bella no escuro do quarto delas, fiquei pensando no significado todo desse Dia das mães, e em como eu não estava me sentindo iluminada, mas derrotada pela rotina, tentando buscar ar no meio de uma confusão que às vezes parece não ter fim. Tudo o que eu queria era que a paz e felicidade reinasse, como todas as mães, mas o caos parecia insistir. No meu primeiro Dia das mães como mãe de três, cartões, mensagens e homenagens piegas não vão significar nada, porque mais uma vez eu precisei me superar. Como toda mãe, eu estou tentando desesperadamente. E no fim, pensei em todas as mudanças que a minha família tá passando nesse último mês e poxa, eu podia falar: eu tenho uma família e sabe o quê? Como sempre é só uma fase, e tudo dá certo no final.


Nesse Dia das mães, eu desejo não só pra mim, mas para todas as outras mães, que a gente se cobre menos, sofra menos (pelo amor de Dios) e aproveite mais, não queira que tudo seja perfeito, não fique se comparando com os outros, abrace um pouco o caos, aprenda a ceder, respire fundo quantas vezes for necessário no dia e perceba, por fim, a sorte de fazer parte dessa loucura toda chamada maternidade. *Foto Quitandoca

terça-feira, 22 de abril de 2014

Receitinha - O brownie mais fácil do mundo

Quando a gente tem filhos, receita prática e fácil na cozinha é essencial. Aqui se bate aquela vontade de comer um doce (algo que no meu caso acontece constantemente desde a gravidez) tenho uma daquelas receitas deliciosas e vapt-vupt que a gente tanto gosta. Esse brownie tem só cinco ingredientes, não precisa de batedeira, não faz lambança e fica maravilhoso! Já fiz tantas vezes que não demoro nem 15 minutos no processo todo. Portanto, aí vai! E se você tiver aquele ovo de Páscoa sobrando aí em casa, ainda dá pra aproveitar pra essa receita!


Brownie mais fácil do mundo

1 barra de chocolate meio amargo (170g)
2 colheres de sopa de manteiga sem sal
1 xícara e 1/4 de açúcar
4 ovos
1 xícara de farinha de trigo

Em um bowl de vidro, coloque o chocolate picado (ou basta quebrar os quadradinhos) e a manteiga e derreta no micro-ondas (use a função derreter chocolate), misture de vez em quando. Depois de derretido, adicione os ovos e o açúcar, misture com um fouet (aquela colher aramada). Por último, adicione a farinha. Se quiser, coloque castanhas para completar. Forno pré-aquecido 200°, e fique de olho porque é rápido. Corte em quadrados e se joga!

Coloquei amendoas e chocolate branco derretido em cima da massa antes de ir pro forno.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Um filme de nós cinco

Poucos dias depois do nascimento do Francisco, tivemos uma oportunidade única de registrar um pouco da nossa rotina, a nossa casa e o nosso dia em família em filme. No fim da minha gravidez, conversei com a Lídia, leitora querida do blog que tinha acabado de abrir uma produtora de vídeo e queria fazer uma filmagem com a gente, sobre fazer um vídeo para capturar os primeiros dias na vida do bebê, uma coisa natural, nós cinco sem muita maquiagem ou firula, mas com certeza algo que a gente gostaria de relembrar no futuro e ver com a família toda no melhor clima "lembra como a gente era quando o Francisco nasceu?". E não é que deu certo?

Então, no nosso primeiro sábado em casa como cinco, a Lídia apareceu aqui com o Paulo, marido dela e super diretor, que é o homem atrás das câmeras, pra gente começar a filmagem. Os dois são pais de um menino lindo de 1 ano e entendem muito bem a dinâmica de uma família, além de terem uma sensibilidade artística incrível. A Lídia, além de editora dos vídeos, ainda por cima é pedagoga e brincou muito com Maria e a Bella inventando brincadeiras para não cansar as duas e tendo uma paciência de anjo com a situação toda. Nos sentimos em casa mesmo, cercado de amigos, e não de câmeras e fios, como num fim de semana tranquilo. Foi lindo e o resultado, mais lindo ainda.


Família Moderna: Ensaio from Infante Filmes on Vimeo.

A Infante Filmes, comandada pelo Paulo e pela Lídia, fica em Belo Horizonte, mas eles têm disponibilidade de viagem, inclusive para Brasília. Eba! Eles fazem não apenas ensaios lindos de família, mas também festas, batizados, comemorações com um olhar mais moderno e original. Vale a pena conferir o trabalho deles aqui e fiquem por dentro das novidades na página deles do Facebook para fazer um orçamento infantefilmes@gmail.com

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Amamentação, a revanche e a livre demanda

Aqui estou eu, pessoas! Consegui um tempo na vida que acontece por aqui para escrever um post que está na minha cabeça há semanas, mas obviamente o computador está cada vez mais distante de uma mãe de três em adaptação. Porém, vamos aproveitar o tempo disponível, certo?

Amamentar não é fácil. Ponto. Eu amamentei as meninas durante 7 meses e três semanas e foi uma luta. Eu não tinha me preparado pra isso, li uma coisa ou outra na gravidez, mas sempre pensava que era "instintivo", que eu e elas íamos saber o que fazer. Mas não foi bem assim. Como bebês pré-maturos, elas tinham dificuldade para sugar, acabaram recebendo complemento no hospital e eu super mal informada deixei, não procurei um pediatra antes para me orientar, e elas demoraram para pegar no peito e eu sofria. Fomos pegando o jeito com o tempo, mas continuei complementando. No fim de tudo, fiquei com o sentimento que poderia ter feito mais e dessa vez eu sabia que ia ser diferente. Estava preparada para fazer o que a amamentação mais nos exige: entrega, e as meninas me ensinaram isso da primeira vez.

Mama, Fran-chico, mama

Acho que antes de começar a contar como tem sido a minha experiência com o Francisco, precisamos definir uma coisa: livre demanda. Eu me lembro muito bem quando eu ouvi essa expressão, nos primeiros dias no hospital com as meninas, a minha concunhada perguntou: "o pediatra disse para vocês que era pra alimentar de três em três horas ou livre demanda?". Eu olhei pro Marco, ele pra mim, e os dois sem ideia do que aquilo significava ou se o médico tinha falado qualquer coisa do tipo. Pensei: "livre demanda é dar de mamar sempre que o bebê quiser? Então tô fazendo isso". Mas não estava. E livre demanda é muito mais do que isso. É dar de mamar quando o bebê tem fome, quando ele chora, quando ele não tem fome mas quer o peito, uma hora depois de ter mamado, meia hora depois de ter mamado, quatro horas depois de ter mamado, ou independente de quanto tempo ele passou sugando o peito, é não contar as horas (ainda que às vezes a gente conte, é tentar não se importar com elas)

* Para os futuros pais de gêmeos que passam por aqui, fica a dica do que não fazer: com as meninas a gente fez uma tabela com o nome de cada uma para anotar a hora que cada uma mamou e quanto tempo. Eu achando que estava fazendo a coisa mais maravilhosa e esperta do mundo, e achava que ia dar de mamar pra uma e esquecer da outra, mas isso foi um grande erro e atrapalhou muito. Estava focada na fome, na engorda e não no afago, em deixar o leite fluir. Não recomendo ou aconselho fazer tabela.

Com o Francisco estava tão confiante, pensava muito na amamentação durante a gravidez, que senti que até meu peito estava diferente. Fiz um pouco de preparação, mexendo nos mamilos depois do banho, mas não fiquei obsessiva. Quando ele nasceu, foi para a UTI por causa de um desconforto respiratório e nesse primeiro momento já perdi o que eu tanto queria: amamentar na primeira hora de vida. De novo a história se repetia, mais um bebê longe de mim logo depois do nascimento. Fomos visitá-lo e ele estava com a sonda, ele ia ficar mais um tempo em observação porque precisava fazer um exame de sangue pois tinha chance de infecção por conta da bolsa rota, procedimento de hospital. De tarde, tiraram a sonda e eu coloquei ele no peito. Ele deu umas sugadinhas e eu fiquei super feliz. Deixei ele lá com a boca no bico o quanto eu podia. Me falaram que podia voltar em três horas para tentar de novo (olha o tal do tempo lá).

Quando eu voltei, tentei dar o peito de novo e depois a enfermeira pediu pra gente sair um pouco porque ela ia dar o complemento. No caminho, encontrei com o pediatra que disse que ele ia ter alta, tudo ok com os exames. Yay! Demorou pra ele subir pro quartove ainda deram mais um complemento. A enfermeira que levou ele (que é leitora do blog e minha seguidora no instagram, olha que lindo!) me avisou que estava programado mais dois complementos. Nãaooooooooo. Falei pra ela que não queria e ela me apoiou. Ninguém apareceu de madrugada. Ufa. Afinal, se desse complemento ele não ia pegar o peito, oras. A fome é o que ajuda no tal do instinto, que existe sim, mas precisa de um empurrão nosso.

Nessa primeira madrugada juntos, tentei dar o peito depois de umas três horas e ele gorfou feio. Não insisti, achei que ele deveria estar cheio daquele complemento.  Deixei ele no meu colo e dormimos mais um pouco assim. No meio da minha jornada como mãe descobri que colo era bom e ajudava na descida do leite, ajudava a fluir. Nada de "ele vai ficar mal acostumado no colo", e lá ficamos nós. Até que só quando estava amanhecendo ele pegou mesmo no peito. E depois foi indo e foi lindo.

Nos dias seguintes meu bico feriu e o peito doeu, mas continuei porque sabia que era assim mesmo, tinha que "calibrar" a coisa toda. O remédio era o próprio leite que eu passava no bico sempre depois das mamadas. Depois o leite desceu, não me lembro quantos dias depois, mas não demorou. E aí venho um outra novidade. Francisco passou uma madrugada toda sem mamar direito, sugava e parava, lutava contra o peito. Fui logo achando que podiam ser gases. Não acordava ele quando ele dormia quatro horas seguidas, mas nesse dia fiquei preocupada porque ele não tinha mamado e estava dormindo muito. Liguei pra minha parteira para me orientar e ela matou a charada. Como o leite desceu, meu bico inchou e mudou o formato, por isso ele tinha que se reacostumar a sugar. Que alívio. Como já sabia o que era foi só insistir um pouco, usei em alguns momentos a concha de amamentação pra dar formato no bico, que ele voltou a pegar. Ufa.

Tivemos altos e baixos, como todas as mães têm. Alguns dias fico mais cansada e desanimada, cheguei a ficar tensa antes de colocar ele no peito algumas vezes porque doía, mas respirei e tentei deixar fluir, afinal era aquilo que eu precisava fazer, eu precisava alimentar meu filho. Em alguns dias, como um bom guloso, ele mama muito, de hora em hora, durante muito tempo em cada peito. E tudo bem, isso é livre demanda. Sei que talvez não seja fome, mas vontade de ficar perto. Em algumas ocasiões ele começou a dar umas reclamadas de leve e já pensei "ih, são gases" ou "por que ele está mamando loucamente desse jeito?". Aí lembrei de um texto do pediatra espanhol Carlos González que eu li há muito tempo atrás e resolvi ler de novo. E vi que estava no caminho certo.

E temos ficado assim. Não tenho ideia de quantas em quantas horas ele mama, às vezes meia hora, mas já chegou a ter cinco horas. É claro que é cansativo, ainda dói vez ou outra, e como bom terceiro filho eu não atendo o Francisco no primeiro chorinho ou barulho que ele faz no berço, mas estou sempre ali disponível com peito e amor. Sem contar as horas, apenas livremente.